Projeto de lei da “segunda sem carne” é só um primeiro passo para o autoritarismo pleno

Texto originalmente publicado em Guerra Política.

Um projeto de lei de autoria do deputado estadual Feliciano Filho, do PEN (mesmo partido em que Bolsonaro pretende entrar) foi aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo. Qual a proposta? A “segunda sem carne”. O projeto consiste em proibir que estabelecimentos forneçam carne nas segundas-feira, e obriga que todo restaurante ou lanchonete tenha “opção vegana” no cardápio. Isso, é claro, ignorando que o consumo de carne nunca foi obrigatório. Isso, contudo, deve servir de alerta.

O projeto inicialmente só tem efeito sobre órgãos públicos, o que inclui também escolas. O problema maior é a porta que isso abre para o futuro. Exatamente como havia previsto na época em que escrevi meu primeiro artigo a respeito do tema, era claro que esse dia chegaria. Veganos ocupariam lugares de comando na sociedade, inclusive na política, para finalmente terem o poder de impor suas pautas. Porém, eles não viriam com um discurso comum aos veganos. Aliás, eles jamais admitiriam ser veganos. O que eles fariam é exatamente o que o deputado Feliciano Filho fez: diriam que é pelo bem da nossa saúde, usando como base aqueles artigos pseudo científicos sobre como a carne faz mal, sobre como ela causa câncer ou sobre como o consumo de carne está destruindo a camada de ozônio.

Este método é muito mais eficaz. O veganismo infiltrou militantes no jornalismo, no entretenimento, nas escolas e, é claro, também no meio científico. Dessa forma eles conseguem todo o projeto, que consiste em primeiro criar pesquisas “científicas” viciadas e cujos métodos não respeitam o básico para se ter resultados objetivos, depois transmitem a informação forjada por meio de seus jornalistas que, com isso, conseguem atingir as massas, acostumando as pessoas com a ideia de que carne faz mal. Por fim, mas não menos importante, ensinam isso nas escolas e, é claro, criam projetos de lei para nos proteger deste “vilão” que é a carne.

Daí em diante é só aguardar. O projeto aprovado em SP vai proibir o consumo de carne apenas nas segundas e apenas em órgãos públicos. Com isso, muitos pensam: “Não é nada demais, só um dia na semana e eu ainda vou poder comer carne em casa.” Talvez agora seja assim mesmo, mas por quanto tempo? O autoritarismo moderno é sempre assim, ele nunca tira a nossa liberdade de uma vez só, ele tira aos poucos. A lei antitabagismo também começou desta forma, e também começou em São Paulo sob o comando de José Serra. Antes os bares e restaurantes foram obrigados a manter áreas para fumantes e não fumantes. Depois, foram proibidos de permitir o uso de cigarros em suas instalações – e aqui estamos falando de estabelecimentos privados. Por fim, a lei passou a valer para todo o Brasil, e tudo isso em paralelo com a proibição das propagandas de cigarro.

Tudo bem que o cigarro fosse proibido em locais públicos, ainda mais considerando que as pessoas normalmente vão a locais como Câmaras de Vereadores ou escritórios do INSS por obrigação. Mas quem vai a um restaurante de que não gosta? Por que um comerciante não pode decidir a qual público pretende agradar? Se um dono de bar quiser que seus clientes possam fumar, qual o problema, já que ninguém no mundo é obrigado a ir ao bar?

O mesmo ponto de vista vale para a questão da carne. E prevejo aqui que o mesmo pode ocorrer neste caso, com uma proibição que começa pequena e aparentemente irrelevante para, depois, se tornar ampla e poderosa. O que nos garante que em breve outros estados não decidirão o mesmo? O que garante que o próprio governo federal não fará a mesma coisa em breve? Pior ainda: O que nos garante que não queiram expandir esta lei, daqui um ou dois anos, para os estabelecimentos privados também? Aliás, já tentaram isso há poucos anos e obviamente vão tentar de novo, até que consigam, enquanto as pessoas dormem no ponto.

Se as coisas continuarem assim, o futuro tende a ser uma distopia similar ao que se vê em San Angeles no filme “O Demolidor” – aquele do Stallone, não o do Ben Affleck. O discurso será exatamente este. Vão querer proteger a nossa saúde de nós mesmos, mais ou menos como se fossem seres superiores providos de maior moral e sabedoria.

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3 comentários sobre “Projeto de lei da “segunda sem carne” é só um primeiro passo para o autoritarismo pleno

  1. Logo logo, vão legalizar quantos banhos poderemos tomar por semana, pior é quando colocarem em lei quantos centímetros de papel higiênico poderemos utilizar para limpar a bunda, depois de cagar.

  2. Esse ESTADO FANTOCHE não cuida do que é pra cuidar!! Estradas e ruas esburacadas, caos em tudo… ELE QUER É PRETEXTO PARA MULTAR E TOMAR DINHEIRO, MAIS, MAIS E MAIS, SE TORNOU UM CÂNCER QUE SÓ A INTERVENÇÃO MILITAR PODERÁ EXTIRPAR!

  3. Como temos idiotas parlamentares, poderia instituir o dia da “merda” quando todos os parlamentares obtusos, deveriam almoçar e jantar esta guloseima.

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