Cerco se fecha contra Cristina Kirchner. Escândalos de corrupção aparecem aos montes.

Não foi uma semana muito promissora para a ex-presidente bolivariana Cristina Kirchner. Sua Unidade Cidadã obteve apenas 20% dos votos nas eleições legislativas — metade do bloco liderado pelo presidente Mauricio Macri e o mesmo que a soma dos grupos peronistas “no K”, como se diz na Argentina, que não a apoiam.

Cristina ganhou uma vaga no Senado, e com ela o foro privilegiado, mas na quarta-feira ficou claro que isso está longe de blindar um político cravejado de investigações de corrupção e abuso de poder, como é o caso dela: por 175 votos a zero e uma abstenção, a Câmara dos Deputados aprovou o “desafuero”, como dizem os argentinos, de Julio de Vido, todo-poderoso ex-ministro do Planejamento, Investimentos Públicos e Serviço, a pedido de dois juízes, que o mandaram imediatamente para a cadeia.

De Vido ocupou o ministério durante todo o governo de Néstor Kirchner e de sua sucessora e mulher Cristina, entre 2003 e 2015. Nessa função, controlou ou viu de perto a entrada e saída de propinas em troca de obras públicas e outros malfeitos do casal de populistas de esquerda na Casa Rosada.

De acordo com o Departamento de Justiça americano, só a construtora brasileira Odebrecht teria pagado 35 milhões de dólares a políticos argentinos. Mas isso é dinheiro de pinga perto do vulto de outras falcatruas investigadas. Segundo um dos processos que ocasionaram sua prisão, De Vido teria desviado 7 bilhões de dólares na importação de gás natural liquefeito. O outro processo envolve desvio de dinheiro de uma jazida de carvão na província de Santa Cruz, terra natal dos Kirchner.

Recentemente na Argentina foi aprovada uma lei de delação premiada, ainda não colocada em prática. Um eventual acordo do Ministério Público com De Vido teria o potencial de uma bomba atômica sobre Cristina e seu grupo. Não que ele seja o único “arquivo vivo” de seu governo atrás das grades: os ex-ministros dos Transportes, Ricardo Jaime, de Obras Públicas, José López, e da Energia, Roberto Baratta, já haviam sido presos.

O fato de os cristinistas não terem votado contra a retirada de imunidade de De Vido, e de muitos oposicionistas terem votado a favor, mostra o ambiente político na Argentina, contrário à corrupção e a favor do governo, grande vitorioso das eleições de domingo.

Mas a semana não terminou aí. Cristina, que afinal ainda não tomou posse como senadora, assim como o também ex-presidente Carlos Menem, ainda tiveram de depor na quinta-feira perante a Justiça federal sobre a suspeita que recai sobre ambos de terem encoberto o envolvimento de iranianos no atentado a bomba em 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), que deixou 86 mortos.

As informações são da Exame.

Anúncios

Deixe uma resposta