Folha diz que o Masp será o “novo alvo” dos críticos da pedofilia, mas só o será se houver crianças envolvidas

por Roger Scar

Em uma matéria da Folha, tendenciosa como sempre, foi dito que uma exposição do MASP, o Museu de Arte de São Paulo, será o novo alvo do “puritanismo avesso às artes”.

Numa clara tentativa de diminuir a relevância dos casos MAM e Queermuseu, a matéria diz:

É como se na total ausência de assuntos mais urgentes no horizonte – a iminência de uma guerra nuclear com a Coreia do Norte, a crise dos refugiados, as catástrofes climáticas que se avolumam –, o mundo de repente se tornasse um reduto de puritanismo avesso às artes.

Tolice, é claro. Não há nada que nós, brasileiros, possamos fazer em relação as tensões entre EUA e Coreia do Norte, assim como também não temos nada a ver com a crise de refugiados na Europa e tampouco podemos salvar o meio ambiente, especialmente porque dentre os países que mais poluem estão justamente a China e os EUA, sobre os quais não exercemos nenhum tipo de controle ou pressão.

Por outro lado, uma exposição que envolva crianças tocando homens nus e que ocorra dentro de nossas fronteiras é um assunto totalmente nosso e ele está totalmente ao nosso alcance, além de ser, obviamente, de suma importância, já que estamos falando de pedofilia. Até onde se sabe, pedofilia é um assunto muito sério e relevante, sobretudo quando o ato é apoiado por uma classe artística composta de gente rica e poderosa.

Na semana que vem, o Masp se prepara para entrar –sem querer– no olho desse furacão. “Histórias da Sexualidade”, uma mostra que vem sendo preparada há anos, entra em cartaz com um apanhado de obras que podem chocar os mais sensíveis. Lá estará a mesma tela de Adriana Varejão que militantes do Movimento Brasil Livre chamaram de apologia da zoofilia –nunca viram Bosch–, uma fotografia de Wolfgang Tillmans de dois rapazes –vestidos– de mãos dadas e outros trabalhos com alguma nudez masculina.

Aqui a Folha tenta desviar o foco. A questão nunca foi a nudez. Se fosse este o problema as pessoas implicariam com comerciais de cerveja, como fazem as feministas, ou então implicariam também com sites pornográficos. O foco de todas as críticas foi um só: crianças. Se a exposição no MASP não envolver o uso de dinheiro público e, principalmente, se não envolver crianças, o fato inegável é que ninguém vai se incomodar com isso, assim como nunca as pessoas se incomodaram com outras milhares de exposições contendo nudez antes disso.

Tratar as críticas contra a pedofilia como se fossem mero “puritanismo” é reduzir intencionalmente a questão a um moralismo barato. O Brasil é o país do Carnaval, quando um monte de gente sai pelas ruas com roupas curtas ou até mesmo sem roupa alguma. Quantas vezes já se viu protestos desta magnitude contra o Carnaval? Nenhuma, absolutamente, e isso apesar de escolas de samba usarem dinheiro público.

O foco das críticas às exposições Queermuseu e La Bête foi sempre o uso de crianças para contemplar uma agenda ideológica nefasta e perigosa, não mais do que isso.

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6 comentários sobre “Folha diz que o Masp será o “novo alvo” dos críticos da pedofilia, mas só o será se houver crianças envolvidas

  1. 1) Os esquerdistas querem que ocorra uma manifestação de conservadores no MASP, para que depois estes possam ser chamados de ignorantes e estúpidos que não entendem de arte.
    Esse truque é manjado e óbvio demais. Somente os mais mentecaptos entrarão na conversinha provocadora do/da repórter da “Folha de São Paulo”.
    É capaz de extremistas esquerdistas levarem crianças para essa exposição, com o intuito de montar uma armadilha para pegar o MBL.
    O melhor a fazer é – na medida do possível – ignorar essa exibição que ocorrerá no MASP, que objetiva apenas acalmar os esquerdistas magoadinhos e carentes de afeto (os famosos perderam fãs de décadas).
    2) Os militantes da “Folha de São Paulo” deixaram a dona Marina Silva fora do debate “Tara e Perversão Cultural”. Por que será?
    A deusa do universo amazônico interplanetário poderia dizer palavras apaziguadoras e esfriar os ânimos dos dois lados.
    Como esquerdista que é, certamente dona Marina Silva aprova a “arte peladista” dos companheiros de ideologia, mas como evangélica que também é, ela acha correto uma menina passar a mão num cara pelado, com a complacência da mãe e de adultos “voyeurs”?

  2. O contexto é a tentativa de impor a bizarra e equivocada ideologia de gênero, com foco nas escolas e à revelia da opinião dos pais. Bastaria colocar uma classificação etária na exposição e metade do problema estaria resolvido. A outra contestação é quanto ao uso de dinheiro público, o que implica numa análise da qualidade e relevância. Mas o objetivo principal da ideologia de gênero sempre foi a doutrinação de crianças e adolescentes. Por isso a esquerda está reagindo de forma histérica a essa discussão.

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