Estadão destrói a hipocrisia dos artistas globais: “Liberdade de expressão só vale quando a patota decide que vale”

Eduardo Wolf escreveu para o Cultura Estadão:

É irônico que, depois de filmes boicotados, professores silenciados, palavras cassadas e cineastas submetidos a inquisições ideológicas, foi necessária uma performance em que uma menina de 5 anos foi constrangida a tocar um homem adulto nu para que a classe artística julgasse que não deveria ser submetida à censura de segmentos da população que resolveram decidir o que é arte e o que não é; qual seu papel em sociedade; quem deve executá-lo e como. É curioso que, apenas agora que obras de conteúdo explícito, reconhecidamente de adultos para adultos (como na frase de Adriana Varejão sobre sua obra polêmica na exposição do Santander em Porto Alegre) foram objeto de mostras educativas para crianças, as reações inflamadas, inquisitoriais e persecutórias do populacho provocaram nos artistas e intelectuais a necessidade de defender a liberdade de expressão e de não aceitar a imposição de nenhuma agenda moral e política sobre os domínios da expressão artística e do pensamento, não importa de que grupo venha.

Irônico, sim; curioso, sem dúvida. Mas que bom! Antes tarde do que nunca. Que bom que, agora, a classe artística e os intelectuais estão mobilizados contra a ideia de que uma parcela da população, se quiser, fecha exposição, cancela peça de teatro ou retira filme de exibição. Isso não é bom para a liberdade, não é bom para o pluralismo democrático. Que bom que, agora, a classe artística e os intelectuais estão conscientes de que a arte e o pensamento devem ser livres, não podendo se submeter a nenhum tipo de pressão popularesca, moralista, ideológica ou política.

Classe artística, intelectuais: sejam bem-vindos!

Agora, só para confirmar: não vale nenhuma censura, mesmo, certo? Não pode nenhum moralismo, correto? Patrulha política-ideológica alguma está autorizada, de acordo? Ou a liberdade de expressão só vale quando a patota decide que vale? Porque, sejamos francos, classe artística e intelectuais, o histórico de vocês na defesa da liberdade de expressão, como eu mostrei acima, não é nada bom. E se a liberdade só vale para a patota, bem, a única coisa que as recentes manifestações da classe artística e dos intelectuais  terão comprovado é que a classe artística e os intelectuais não defendem, nunca defenderam, a liberdade de expressão. Restarei convicto, aqui, de que isso não poderia ser verdade, e de que estamos, de fato, evoluindo para um consenso em defesa da liberdade para valer.

Mais uma vez, o seletivismo dos artistas da campanha 342 Artes é desmascarado.

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7 comentários sobre “Estadão destrói a hipocrisia dos artistas globais: “Liberdade de expressão só vale quando a patota decide que vale”

  1. ZOG – Oportuno este texto do Sr. Wolf. Essa esperteza de achincalhar a Globo como inimiga das esquerdas parece estar chegando ao fim. Qualquer analista com mínimo discernimento sabe que a emissora é uma aliada fiel dos gramiscinianos tapuias quer pela sua direção quer pelo seu elenco, quer pelos seus âncoras ou pelos seus convidados “especialistas” da PUC, da UFRJ ou da Fluminense. É óbvio também que não se trata aqui de defesa da arte ou mesmo da definição dela e sim de permitir a implantação, recomendada pela UNESCO em Paris, das “pautas” de gênero, lgbtistas, abortistas, desarmamentistas, dentre outras. De maneira que se transformem em um “entendimento” mundial. O que as esquerdas tupis fazem é usufruir os recursos da ONU para tais “pautas” (muitas vezes através de ONGs) transformando-as em “princípios práticos” marxistas/gramscinianos. Na verdade, a maioria desses “artistas” nunca foram expostos à Teoria da Arte, à História da Arte ou da Estética e muito menos a teorias sobre Fruição. Quando muito, livros emprestados ou aulas sonolentas em alguma universidade. Lamentável. At. ZOG.

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