Exclusivo: “Oportunidade histórica para a direita liberal, conservadora”, diz Kim sobre 2018, em entrevista

Eleito em 2015 um dos 30 jovens mais influentes do mundo pela revista TIME, o coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL) Kim Kataguiri fecha o terceiro ano de sua militância frente ao movimento, colecionando novos feitos e conquistas. Há dias lançou o seu primeiro livro pela Editora Simonsen “Quem é esse moleque para estar na Folha?“, publicação que reúne todos os artigos escritos semanalmente por Kataguiri para o jornal Folha de São Paulo entre janeiro de 2016 e março de 2017.

Cotado como pré-candidato a Deputado Federal pelo Estado de São Paulo e disputado por diversas legendas, o jovem concedeu uma entrevista exclusiva para o JornaLivre e nos contou um pouco de seu ativismo, da vida particular, das vitórias e dificuldades em sua trajetória, seus sonhos e objetivos. Leia abaixo e saiba um pouco mais o que pensa Kataguiri:

 

JornaLivre: Aos 21 anos de idade, o senhor coordena nacionalmente um movimento que atua em todo o Brasil e surge como principal candidato do grupo ao cargo de Deputado Federal no Estado mais rico da federação. Como é conciliar essa responsabilidade com a rotina de estudos e da própria adolescência?

Kim Kataguiri: É uma responsabilidade muito grande ter 21 anos de idade e estar na faculdade e ao mesmo tempo ter influencia suficiente para mudar os rumos de uma votação no congresso nacional, são escolhas difíceis, é uma responsabilidade muito grande, mas ao mesmo tempo é algo que precisa ser feito. E quando algo precisar ser feito, e é correto, e é você que está lá naquele momento, é a pessoa que pode fazer aquilo, é seu dever moral fazer, não estou cumprindo nada mais que minha obrigação. Ao mesmo tempo em que concilio meus estudos no direito, meus textos, posts, meus comentários diários na radio ABC, minhas palestras, coordenação do MBL, concilio tudo porque é necessário, porque não tenho outra escolha. Isso é uma coisa que discutia bastante em palestras para o mercado financeiro, eles falavam “ah não, não vai ter jeito, vou ter que ir pra Miami…” Falei bom, vocês tem dinheiro para ir a Miami, eu não tenho, eu não tenho escolha, eu fico aqui e luto! E eu também não quero fugir, não acho que a melhor maneira para lidar com um problema estrutural histórico de um país é você fugindo dele, acho que isso é um ato de liberdade né, claro, as pessoas podem escolher fazer isso, mas não é um ato que eu tomaria.

JornaLivre: Antes de possuir qualquer mandato, o senhor já procura pautar alguns debates no Congresso Nacional. Recentemente defendeu mudanças no código penal no que diz respeito ao sistema do regime de penas e a cobrança de mensalidades em universidades públicas para estudantes de renda alta. Qual limitação encontra hoje e que facilidades espera encontrar, após eleito, para avançar com suas ideais?
Além das ideias já conhecidas e debatidas até então, quais outros projetos você almeja pautar em Brasília?

Kim Kataguiri: A principal dificuldade pra propor um projeto, é sempre ter de correr atrás de um deputado que esteja disposto a lutar por aquilo. Acho que já consegui demonstrar junto com outros membros do movimento que é possível interferir na politica sim, que a política não é esse bicho papão, esse monstro que engole todo mundo, e que é possível ser feita de maneira correta, ser feita com ideais, ser feita sem fisiologismo. Dá pra fazer sim e dá pra fazer sem mandato como a gente tem feito. Avançamos na pauta da progressão de regime, que é pra endurecer as punições pros criminosos, que hoje é um entra e sai das prisões e as polícias basicamente enxugam gelo. Avançamos também bastante numa pauta que fizemos até manifestações que é a questão o PL 3722 do desarmamento, tudo indica que vai ser votado nesse mês, e que vamos conseguir derrotar o estatuto do desarmamento. Outro ponto é a cobrança de mensalidade nas universidades públicas pra quem pode pagar, debatemos na comissão de educação. Também é outro assunto que está avançando, está sendo desenhado um projeto nesse sentido.

Conseguimos avançar bastante na questão dos super salários, que foi uma iniciativa nossa de coletar assinatura de deputados, pressionar deputados, de começar uma campanha pra acabar com esse absurdo que existe tanto no legislativo, como no executivo, como no judiciário, de funcionários públicos ganhando até um milhão de reais num único mês, do dinheiro do pagador de impostos. Isso tá absolutamente acima do teto constitucional, e é um absurdo que isso saia do bolso do pagador de impostos, ainda mais num momento de crise, ainda mais num momento que temos tanto desempregados. Minha perspectiva, não é pessoal, de um eventual mandado mudar as coisas em 2019. Acho que agora o principal é o momento, é a janela de oportunidade histórica que temos para mudar as coisas, temos que aproveitar esse momento favorável para a direita liberal, conservadora, dura aí seus 10 anos, mas depois as pessoas esquecem impeachment, esquecem Lava-Jato esquecem petrolão e voltam a votar na esquerda. É um movimento de pêndulo ideológico natural em qualquer país. Por isso temos que aproveitar 2018 pra fazer reformas estruturantes que durem independentemente de governos.

JornaLivre: Em São Paulo, seu colega de movimento e vereador Fernando Holiday fez cortes profundos nos gastos pessoais e de mandato, economizando uma verba relevante. De acordo com ele, fazê-lo é ser “coerente com a defesa de uma máquina pública enxuta”. Essa é uma visão que você compartilha, isto é, é a forma de pensar do movimento?

Kim Kataguiri: Com certeza essa é a linha de pensamento do movimento. Hoje você tem diversos privilégios tanto no judiciário, como no ministério público, como no legislativo, como no executivo, em fim, em todas as grandes castas ali do topo da pirâmide do funcionalismo publico que precisam ser cortadas, é dinheiro jogado no lixo ou pior, dinheiro utilizado para corrupção ou ainda, dinheiro utilizado para eleger e reeleger politico corruptos e que não é necessário. O mandato do Holiday é o maior exemplo disso, um dos mandatos mais produtivos em que ele conseguiu traçar debates importantes, pautar comissões importantes, sem a necessidade de gasta fortunas com o dinheiro que ele teria disponível para gastar ali com propaganda, com jornais, enfim, com a divulgação do seu mandado. Dá para trabalhar muito bem e com muito menos dinheiro.

 

JornaLivre: Há semanas você participou de uma audiência pública no Congresso Nacional, ao lado da presidenta da UNE, onde propôs as mudanças que defende para a educação pública brasileira. Ela disse que o MBL, movimento que o senhor coordena, não é real, é virtual. Enfim, o MBL existe além das redes sociais?

Kim Kataguiri: Isso é um claro sinal que a UNE é uma instituição jurássica, que hoje já não representa estudante, já não representa pessoa nenhuma alias, é uma grande burocracia, uma grande disputa de cargos, disputa por dinheiro público. Como eles não tem representatividade, evidentemente eles não têm alcance nas redes sociais, coisa que a gente tem. Agora dizem que (O MBL) é um movimento fictício, que é um movimento que não existe nas ruas, mas foi o movimento que convocou as maiores manifestações da história desse país. Então na falta de argumentos, na falta de embasamento para rebater no campo das ideias, eles partem pra ataques infundados, partem para as mentiras, porque é só isso que sobrou pra UNE. Uma instituição que em algum momento da história já chegou ter certo protagonismo, hoje é absolutamente irrelevante, ninguém sabe o que é a UNE, ninguém liga para opinião da UNE, todo mundo tá pouco se lixando para a UNE.

 

JornaLivre: Diversos jornais vêm noticiando a aproximação do MBL com o prefeito de São Paulo João Doria Junior. Os laços perduram desde a campanha à prefeitura, quando o movimento o apoiou. Ele não diz que é, mas age como um potencial presidenciável no PSDB. Parece-te o melhor nome para o Planalto a partir de 2019?

Kim Kataguiri: Com certeza é um nome mais qualificado. O que a gente precisa agora é um nome liberal, que tenha capacidade, habilidade politica com capacidade de gestão, acho que isso o prefeito João Doria já demonstrou aqui a nível municipal e com certeza demonstraria a nível nacional, é nisso que a gente acredita. Diminuição da máquina pública, privatizações, independencia do Banco Central, reformas como a reforma trabalhista, reforma previdenciária, reforma tributaria; uma revisão do pacto federativo, é por isso que a gente tem de lutar. O prefeito João Doria está de acordo com esse programa e acredito que seria um excelente presidente.

 

JornaLivre: Pois bem. A aproximação do movimento com os tucanos não se restringe ao prefeito paulistano, tendo inclusive declarações afetuosas ditas pelo presidente interino do partido, Tasso Jereisatti. Você será candidato pelo PSDB? Caso afirmativo, o movimento será “sugado” e tornar-se-á uma tendência psdbista?

Kim Kataguiri: Não serei candidato do PSDB, mas o MBL possui vereadores que foram eleitos pelo PSDB e muito provavelmente vai ter candidatos a deputado federam e estadual pelo PSDB. O partido não interessa, a legenda não interessa, o que interessa é que todo integrante do movimento vai defender a mesma pauta, vai ser independente, vai votar independentemente da indicação de qualquer cacique, de qualquer líder partidário. Como já está acontecendo com os vereadores, Holiday, Filipe Barros em Lodrina, Ramiro Rosário em Porto Alegre, enfim, todos os vereadores que nós elegemos são exemplo claro disso, sempre votaram com coerência, sempre votaram de acordo com seus ideais, pouco importando o partido politico. E é isso que a gente busca dentro dos partidos, independência, não interessa a legenda, o que interessa é a gente poder defender nossos ideias.

 

JornaLivre:  Incomoda as comparações com o senador petista Lindbergh Farias que, assim como você, foi um jovem líder de um impeachment presidencial?

Kim Kataguiri: Olha, essa é uma comparação tão esdrúxula que nem chega a incomodar, as pessoas tem essa sensação de que o Lindbergh Farias era um jovem idealista que de repente se corrompeu porque entrou na politica. Nada disso. Lindbergh sempre defendeu os ideais que defende, sempre foi comunista, ele sempre defendeu o aumento do Estado, sempre defendeu a diminuição de liberdades politicas, de liberdades econômicas. Não foi porque ele entrou na politica que ele se tornou um canalha, ele sempre foi um canalha. Então esse é mais um argumento daqueles que tentam fazer com que a politica se torne um demônio, um ente metafisico que corrompe tudo aquilo que toca. Mas a verdade é que a política, como qualquer outra área da sociedade necessita de honestidade, um pressuposto básico, às vezes as pessoas falam que “Vou votar nesse político porque ele é honesto”. Ser honesto é um pressuposto, você tem que votar em um político por suas ideias. Não é que politico tem que ser honesto, todo mundo tem que ser honesto, médico tem que ser honesto, pedreiro tem que ser honesto, todos tem que ser honestos, todos os seres humanos tem que ser honestos. Politico tem que ter boas ideias além do pressuposto básico e fundamental de ser honesto, pressuposto este que o senhor Lindbergh Farias nunca teve.

 

JornaLivre:  Qual mensagem você quer passar a Nação brasileira e a teus seguidores que te veem como uma lufada de esperança no atual cenário político brasileiro?

Kim Kataguiri: A mensagem que eu gostaria de passar é: acreditem no Brasil! A gente caminhou muito nos últimos anos conta uma tentativa de implementação de uma ditadura totalitária, socialista no nosso país. Estávamos caminhando rumo a Venezuela. As coisas podem não parecer boas agora, mas poderiam estar muito piores e a gente tem uma perspectiva real de mudança em 2018, elegendo um presidente de direta, liberal, conservador e mais, com grandes perspectivas de ver o Lula na prisão. Então temos de ser otimistas em relação ao nosso futuro, temos de continuar lutando, porque como já dizia Platão, “Quem não gosta de política é governado por quem gosta”.

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