Blogueiro do Brasil247 acusa Rock in Rio de “eugenia racial”

Um militante travestido de jornalista do blog petista Brasil247 escreveu um artigo problematizando o Rock In Rio. Confira o mimimi na íntegra:

Nêggo Tom

Quando você é adolescente e sonha em ser músico, você vai criando as suas referências e se inspirando em artistas com os quais se identifica. Seja pela musicalidade, pela personalidade, pela ideologia ou simplesmente por gostar e pronto. Na minha época de moleque, o som que dominava as rádios, ainda era o Rock 80, de Legião Urbana, Barão Vermelho, Ultraje, Lobão, Biquini Cavadão, Paralamas, Engenheiros do Hawai, Hojerizah e outros, que já estavam passando o bastão para galera dos anos 90. Skank, Raimundos, Planet Hemp, Jota Quest e Cidade Negra, que não era uma banda de Rock, mas era a única de grande expressão e de representatividade preta daquela época.

Cresci me sentindo um estranho no ninho, por gostar do Rock nacional, afinal, não se via pretos nas grandes bandas. A não ser, um Renato Rocha tocando baixo aqui, um Clemente cantando ali, tudo era supremacistamente branco no Rock BR 80. Seu Jorge já falou sobre isso e inclusive foi questionado por dizer que o Rock não era um gênero musical para pretos. Mas eis que a minha curiosidade musical fala mais alto e eu desando a procurar pretos que tocassem Rock. Assim, dou de cara com uma fita cassete de Jimy Hendrix (The last Concert), em uma loja e pá! Me senti Thomas Edison descobrindo a lâmpada elétrica. Havia luz no meu , até então, “inusitado” gosto musical. No mesmo dia, comprei uma do Red Hot Chilli Pepers e a pulsante “Give it Away” e a swingada “What it is” (onde slaps de um contra baixo funkeado e solitário, servem de base para um Rap bem no estilo americano), estavam lá. O Rock cada vez mais me seduzia.

Fui descobrindo através de livros e revistas do gênero, que o Rock’n Roll que eu tanto gostava, mas não me via representado e inserido em seu contexto – racialmente falando – tinha raízes no canto dos escravos americanos. Oh, yeah! Pesquisando um pouco mais, fui descobrindo nomes de artistas pretos, de grande relevância no cenário Rock’n Roll. Mas, ora! Se o Rock tinha os dois pés e o corpo inteiro na senzala, por que os pretos não tinham tanto espaço na mídia e sequer eram lembrados como os precursores do gênero? A resposta era óbvia. Porque eram pretos. O produtor musical Sam Philips, uma vez disse: “Se eu descobrisse um branco que canta como negro, faria um bilhão de dólares” E ele conseguiu. Descobriu Elvis Presley, o transformou no rei do Rock, contribuiu para o processo de eugenia racial do gênero e deve ter faturado o seu bilhão.

Já escrevi aqui, anteriormente, sobre o processo de “branquinização” o qual o Rock foi submetido, para sua melhor aceitação comercial, por parte da sociedade racista americana dos anos 50. Sam Philips era um visionário e provavelmente racista também. Sabia que o Rock poderia ser a expressão musical mais popular do mundo, mas não seria bem aceito se fosse apresentado na mídia, sob a cútis preta que o originou. A sequência da história, nós já sabemos. Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Janis Joplin, The Doors e os roqueiros pretos cada vez mais invisibilizados. O Brasil, é claro, seguiu o exemplo do Tio Sam e embarcou na onda, promovendo um “iê, iê , iê” nacionalista, alinhado com a eugenia americana e que resultou na Jovem Guarda, um dos nossos maiores movimentos musicais – sem dúvida – e que contribuiu para recuperar a hegemonia branca, num mercado musical que estava sendo dominado pelo swing e pela simpatia, do preto Wilson Simonal. Onde já se viu?

Dando uma olhada na programação do Rock in Rio 2017, vejo uma lista com mais de 70 atrações – divididas entre o palco principal e os alternativos – onde, apenas cinco delas representam a negritude e nenhuma delas tocam Rock e nem se apresentarão no palo principal. Entre elas estão: Elza Soares, Cidade Negra, os rappers Emicida, Rael e Miguel e o projeto “Salve o samba”. Será que não dava para trazer o Lenny Kravitz, o Living Colour? Mr. Little Richard, mesmo no auge dos seus 84 anos, ainda poderia resgatar – mesmo apenas com a sua presença como convidado especial – os tempos áureos do bom e velho Rock’n Roll. Quem sabe um show em holograma do Jimy Hendrix? Clemente e “Os Inocentes” Sei lá! Alguma representatividade preta do Rock. Alguém promoveria um festival de Fado, sem convidar artistas portugueses e sem citar a essência lusitana do gênero?

Quando, vira e mexe, surge uma questão que suscita a tal da apropriação cultural, muitos reclamam e associam ao mi mi mi e ao vitimismo. Mas como diria Caetano: “Tudo é muito mais” e muito mal também. Além da apropriação, existe a negação da participação do preto no processo criativo, a invisibilização do preto no processo evolutivo e a exclusão do preto no consumo do produto final. Como se aquilo ali não fizesse parte da sua cultura ou não pudesse ser bem representado por ele. Não tenha dúvida, de que a geração nutella, que se julga a legítima representante do gênero, ficaria chocada em saber que os escravos americanos, eram muito mais “irados” e ‘radicais” do que ela. O senhor Roberto Medina, organizador do festival, tem idade e talvez conhecimento musical suficiente para saber disso, mas o racismo sistemico e que já não é mais tão sutil assim, segue ditando as regras de padronização comercial.

Já está chato, essa história de Rock in Rio sem artistas pretos e quase sem Rock também. Tendo em vista a diversidade musical (não que isso seja ruim, embora não se alinhe em nada com o nome do evento) dos convidados, o festival deveria se chamar Pop in Rio. E para piorar, ainda entregaram nas mãos do Crivella – o bispo golpista que não gosta de carnaval e que se veste de prefeito nas horas vagas – a guitarra que simboliza o evento. Desse jeito, vão acabar me convencendo que o Rock, se não era, virou coisa do diabo mesmo.

Valei-me, meu São Chuck Berry!

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/neggotom/317636/A-eugenia-racial-do-Rock-In-Rio.htm

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4 comentários sobre “Blogueiro do Brasil247 acusa Rock in Rio de “eugenia racial”

  1. muita perda muita perda muita nada sua digressão sobre os investimentos alheios que visa e ter outras coisas produzir gerar e capitalizar ,quanto aos seus medíocres e insanos e infames pitacos passe ele para quem usa verbas públicas não mais calado

  2. Mais um idiota militante inventando problema onde não existe. Hoje a maioria dos artistas de ponta no cenário musical, os mais bem pagos são negros.
    O rock é filho bastardo do blues e o blues é 80, 90% composto por artistas negros. Como o samba. Como o basquete da NBA, o atletismo. Mais da metade dos atletas de ponta no futebol são negros ou mestiços.

    Só concordo que, em termos de rock, o Rock In Rio já era mesmo. Mas é uma marca consolidada e até por isso ficou eclético demais, para desgosto que quem gosta de rock e nada mais. Entretanto o grave é o monte de artista meia boca que deve ter sido entubado pelos empresários, pois mesmo as atrações que não eram rock nas primeiras edições eram de qualidade como Al Jarreau, George Benson, James Taylor, e por aí vai.

    E pra priorar tudo, um custo enorme para assistir os shows, esse sim excludente da parte mais pobre da população. Culpa da lei da gratuidade, que forçou os organizadores a dobrar o preço dos ingressos para não ter prejuízo.

    1. Perfeito, Mario.
      Afinal quem vai ao evento, vai pela música, pelos grupos que apresentam-se, cantores e cantoras que interpretam seus gostos musicais ou vai ver cor da pele? Não é afirmação imbecil que um devido ritmo ou gênero musical possa ser cantado ou tocado apenas por quem tenha uma determinada cor? Quanto privilégio

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