Janot diz que não sabia da ligação entre Miller e a JBS, mas estava de posse das gravações de Joesley desde março

Embora o caso todo tenha vindo a tona somente em maio, a PGR já estava de posse das gravações de Joesley Batista desde o mês de março, logo depois que os empresários assinaram o acordo de delação mais benéfico do mundo que garantiu, temporariamente, a impunidade aos irmãos da JBS.

Entretanto, a PGR divulgou uma nota alegando que Janot desconhecia a conexão direta entre seu braço direito, o ex-procurador Marcelo Miller, e os irmãos Batista, donos do frigorífico. Leia a nota:

A Procuradoria-Geral da República esclarece que não procedem as informações veiculadas no site da revista Veja, com ilações sobre um suposto conhecimento do Gabinete do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, a respeito de eventual ligação indevida do ex-procurador da República Marcello Miller com pessoas ligadas ao Grupo J&F.

A PGR desconhece o teor do relatório e, pelo que foi publicado, trata-se de conversas de terceiros fazendo suposições sobre a atuação de integrantes do Grupo de Trabalho que auxiliam o procurador-geral da República nos processos da Lava Jato perante o Supremo Tribunal Federal. Os fatos veiculados pela revista mostram tão somente que foi frustrada a tentativa dos advogados dos colaboradores de misturar indevidamente negociações de colaboração premiada e leniência. A PGR, de fato, negociou as colaborações (matéria penal), firmadas em maio, e a Procuradoria da República no DF conduziu as tratativas de leniência (matéria cível), cuja conclusão ocorreu em junho deste ano.

A reportagem cita um compromisso assumido por membros do GT da Lava Jato de informar às autoridades norte-americanas do início das tratativas com o referido grupo empresarial para firmar acordo de colaboração premiada com a PGR, o que foi feito após a assinatura do pré-acordo, no dia 7 de abril. Esse procedimento é praxe em casos de colaboração que envolvem interesses de autoridades internacionais.

Os integrantes da equipe do procurador-geral da República só foram informados da participação do ex-procurador da República Marcello Miller nas negociações sobre o acordo de leniência, depois de sua exoneração, quando este participou de reunião com esta finalidade no dia 11 de abril. Vale ressaltar ainda que jamais houve conversas entre advogados e os procuradores que atuam no Grupo de Trabalho da Lava Jato que pudessem denotar indício da participação de Marcello Miller na colaboração firmada na esfera penal.

O maior problema com esta versão é que ela não bate com os fatos. Se Janot já possuía estas gravações há meses, elas só são novidade para nós, não para ele. O PGR já sabia da existência delas há tempo mais do que suficiente. Aliás, ele sabia delas antes mesmo de fechar o acordo com a JBS.

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2 comentários sobre “Janot diz que não sabia da ligação entre Miller e a JBS, mas estava de posse das gravações de Joesley desde março

  1. Ele fez uma promessa pros batistas e agora dah uma de traira. Soh nao divulgou tudo antes para poder denunciar o Temer, nao que ele sesanto. E agora Joseh?(Janot)

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