“Até o fim, Joesley acreditou que escaparia ileso”, diz Renata Agostini, do Estadão

Em matéria publicada no jornal Estadão, a jornalista Renata Agostini escreveu o seguinte:

Na rua França, no bairro paulistano do Jardim Europa, a tevê de Joesley permaneceu desligada. O empresário preferiu não ver o pronunciamento. O insistente tilintar do aparelho celular, no entanto, foi mais difícil de ignorar. Aos mais chegados, Joesley respondeu não entender o que se passava. O delator mais famoso do País repetia não saber por que Janot estava tão irritado.

E depois:

Somente na quarta, dois dias após Janot avisar que poderia revogar os benefícios de sua delação, Joesley chamou assessores para analisar o que fazer. Rumou para o escritório de Bottini, na região da Avenida Paulista, de onde só saiu após a noite cair. Reunido com Saud e o advogado Francisco de Assis (também delator), e em meio a um vaivém de advogados, ouviu a gravação. Afirmou aos auxiliares não ter mudado de opinião. Para ele, não havia crime e, por isso, não havia o que temer, segundo pessoas próximas. Joesley fiava-se em sua capacidade de se safar de problemas. Avaliava que seu depoimento, marcado para o dia seguinte em Brasília, esclareceria os fatos, preservando sua delação premiada.

Se esta é exatamente a verdade não dá para saber, mas é de conhecimento geral que Joesley Batista estava mal acostumado com o tratamento VIP oferecido a ele por Janot e pela imprensa. Em pouco mais de dois dias o homem até então tratado por jornalistas chapa branca como “herói” e “pessoa redimida” foi estraçalhado junto a Janot, seu até então aliado.

Deve ter sido um baque muito grande que todo seu plano tenha ruído tão repentinamente.

Anúncios

Deixe uma resposta