Recheado de Fake News, vídeo sobre impostos de Duvivier NÃO foi questionado por Agência Pública. Por que isso não nos surpreende?

O humorista sem graça Gregório Duvivier fez um vídeo em seu programa Greg News, na HBO, falando sobre impostos no Brasil. Como era de se esperar, o objetivo do vídeo foi defender a altíssima carga tributária brasileira, aquela que sustenta os ricos – como Gregório – e onera o trabalhador de mais baixa renda.

O vídeo, no entanto, é recheado de falsas informações, muitas delas até escancaradamente falsas, mas a Agência Pública, através do seu projeto “Truco”, não fez nenhuma checagem disso, apenas fingiu que não viu. Quem teve que checar os fatos neste caso foi o site Mercado Popular, que em um raro momento de lucidez optou por parar de ajudar a extrema-esquerda e confrontou as mentiras ditas pelo humorista.

Vejamos o que o MP desvendou:

Trabalhamos 152 dias por ano – ou de 1 de janeiro até 2 de junho – somente para pagar impostos. O texto do Greg News cita esse número, mas em seguida defende que a carga tributária, em última análise, não seria assim tão alta.

Para ilustrar que esses 152 dias não seriam tanta coisa assim na comparação internacional. Gregorio apresenta para isso a tabela abaixo, com a porcentagem da renda nacional que é paga em impostos. Ele mesmo informa se tratar de um clube de países ricos, a OCDE.

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O que Gregorio não informa são alguns detalhes sobre a escolha desses países. Por exemplo: boa parte dos integrantes da OCDE, e especificamente todos os que estão à frente do Brasil na tabela, são países europeus e ricos com uma população muito mais velha que a do resto do mundo.

O sistema de previdência, em geral, é o maior gasto dos Estados. A saúde pública costuma ficar próxima no ranqueamento. Ambos são fortemente afetados pela idade da população. Essa diferença demográfica explica, ao menos em parte, por que países ricos europeus tem gasto público maior que o resto do mundo.

Outra ressalva importante, no caso, é que se trata da região mais rica do mundo há muitos séculos. Estes países já se encontravam em situação privilegiada quando aceleraram o crescimento do gasto, uma decisão que envolveu custos incomparáveis com o brasileiro.

Depois, o MP explica como seria a informação verídica:

Ainda assim, uma questão é crucial: se hoje existem dados abertos sobre países de todo o mundo, por que o Greg News escolheu apenas esses? E se eles comparassem o Brasil com países mais parecidos? Em qualquer um dos casos, o texto do programa seria flagrantemente desmentido pelos dados apresentados.

Se o Greg News mostrasse uma tabela com a carga tributária no continente americano, seria assim, com o Brasil na terceira colocação.

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Se a mesma comparação fosse feita com todos os países de renda média, o resultado se mantém, com o Brasil muito próximo do topo.

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Outra grande mentira de Gregório Duvivier vem logo em seguida, quando ele fala sobre a disparidade da carga tributária para ricos e para pobres. Não é mentira que a carga tributária brasileira seja bem mais pesada, proporcionalmente falando, para os mais pobres. O que foi ocultado no programa Greg News, por outro lado, é como isso realmente funciona. O Mercado Popular explicou:

Gregorio levanta também uma questão fundamental sobre a equidade do sistema tributário, que pesaria mais no bolso de quem tem menos. Isso de fato ocorre e é um problema grave do sistema brasileiro.

Um dos dados que Gregorio cita com mais ênfase aponta que a base na pirâmide de renda (famílias que ganham até 2 salários mínimos) gastam 48,8% da sua renda em impostos, enquanto o topo (renda maior do que 135 mil) pagaria somente 9%.

Esse é um trecho especialmente grave. Os 9% dizem respeito à parcela paga em imposto de renda, um tipo de tributo que simplesmente não existe para a população mais pobre. Já os 48,8% representam o percentual de renda total pago em impostos. Gregorio cita em sequência números que dizem coisas bastante diferentes, sem explicar adequadamente a diferença.

Boa parte do programa é dedicado a uma espécie de denúncia quanto à ausência de impostos sobre dividendos no Brasil. Em parte, a fala de Gregorio ecoa a de especialistas como Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente. A diferença está no tom. No Greg News, a ausência do imposto justifica que o apresentador chame o Brasil de “paraíso fiscal” para quem recebe dividendos.

Gregorio diz que dividendos são os “salários dos super-ricos”. Conceitualmente, trata-se da parcela dos lucros que é redistribuída ao acionista de uma sociedade anônima, como as empresas da Bolsa de Valores. A questão-chave, neste caso, é que já existem diversos outros impostos que incidem sobre lucros.

Também é importante lembrar de algo que o Mercado Popular não abordou, que é o efeito cascata da carga tributária. Se aumentarem os impostos sobre os ricos – e por ricos entenda-se empresários – eles têm como repassar esse aumento de custos. Como eles farão isso? Aumentando os preços de seus produtos ou reduzindo os gastos em suas empresas. Gregório fingiu ignorar isso com o intuito de enganar o espectador, mas a verdade é que todo aumento de impostos, ainda que “para os mais ricos”, resulta em um aumento do custo de vida para os mais pobres, porque são aqueles que estão na base da pirâmide que não têm como repassar estes aumentos a ninguém.

Isso tudo, entretanto, não é tão importante quanto o fato de que a Agência Pública, dita isenta e interessada em checar fatos, ignorou este vídeo que já está no ar desde o dia 9 de junho – ou seja, há um mês e meio. Até o momento o projeto Truco não se manifestou sobre o caso, o que comprova o caráter político e a conduta de perseguição a adversários.

O mesmo projeto Truco que se apressou para perseguir o MBL recentemente preferiu ficar em silêncio diante das inúmeras mentiras ditas por Gregório. Coincidência ou interesse político? Gregório é da turma, por isso ele tem todo o direito de mentir. Já o MBL, que fez um vídeo falando verdades sobre o regime semiaberto, foi procurado pela agência com fins de intimidação política.

Isso explica muita coisa. Os tais “fact-checkers” da extrema-esquerda são apenas uma nova forma de censura, não há interesse real em checagem de fatos.

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7 comentários sobre “Recheado de Fake News, vídeo sobre impostos de Duvivier NÃO foi questionado por Agência Pública. Por que isso não nos surpreende?

  1. Bom, mas nada disso nega o fato de que o MBL é uma instituição criminosa, patética, comprada e digna de desprezo. Tudo a respeito do vídeo do Gregório é verdade, mas a parte final, que fala sobre as “verdades” ditas pelo MBL, não. As checagens da Agência Pública são muito bem feitas e desmascaram os safados amigos do Cunha.
    O MBL não merece respeito de ninguém e, felizmente, perde credibilidade a cada dia, pois é um grupo político irrelevante e ridículo. Nos comentários dos posts deles no Facebook, há diversas pessoas criticando-os e os poucos que elogiam mostram-se ingênuos e dotados de senso comum, sem qualquer bagagem cultural.
    Todo mundo sabe que eles foram comprados e que tem dinheiro injetado ali. Qualquer um com um pouco de estudo percebe que eles selecionam o que mais convém a eles e ocultam fatos que mostram como eles estão errados. A Pública está certíssima por queimar o filme deles e, se isso é politicagem, não importa. O importante mesmo é prejudicar gente que diz já ter lido O Capital, mas não entende o básico do marxismo, e fica tentando enganar gente inocente com discursos nojentos.

  2. Essa matéria não mereceu nem o click2. Texto raso, focado em “picuinhas”, cheio de parcialidade e sem a menor intenção de ser realmente informativo. É triste ver que a “direita” é composta por pessoas tão rasas e carentes de informação. A discussão e a crítica são indispensáveis para o crescimento social e individual, mas está bem difícil…

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