Infiltrado do PCC recebia mesada para criar falsas denúncias de violação de direitos humanos para desestabilizar Polícia Militar de SP

A Justiça condenou ex-vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, e outras quatro pessoas por fazerem parte da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). A sentença foi publicada nesta terça-feira (26) pelo juiz Gabriel Medeiros.

Luiz Carlos dos Santos foi condenado a 16 anos e 5 meses de prisão mais pagamento de multa por integrar organização criminosa e corrupção passiva.

Além de Santos, foram condenados os advogados José Ribamar Baima do Lago Júnior, Simone Lage Guimarães, Osvaldo Antonio de Oliveira e Marcos Antonio Antunes Barbosa. Lago Júnior recebeu pena de 15 anos e 5 meses de reclusão, mais multa, por integrar organização criminosa e por corrupção ativa. Os outros três foram condenados a oito anos e nove meses de reclusão cada um, por fazerem parte de organização criminosa. O G1 não conseguiu localizar os defensores dos acusados.

A condenação ocorreu após a denúncia da Operação Ethos deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em novembro de 2016. Na ocasião, 41 pessoas suspeitas de envolvimento com a facção foram presas. Ao todo, 49 pessoas foram denunciadas, mas o processo foi desmembrado.

Segundo as investigações do Ministério Público, desde 2014, detentos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, cooptaram diversos advogados para formar a célula jurídica da organização.

Essa cédula era denominada “sintonia dos gravatas”, e foi criada, inicialmente, para prestar serviços exclusivamente jurídicos aos líderes do PCC. Com o passar do tempo esse núcleo evoluiu e também passou a servir de elo de comunicação das atividades criminosas entre os líderes da facção presos e aqueles fora do sistema prisional.

A célula tinha a função de comandar um esquema de pagamentos de propinas a agentes públicos ou integrantes do Condepe. Santos recebia uma mesada de R$ 5 mil do PCC para “plantar” denúncias de violação de direitos humanos com o intuito de gerar desestabilização na segurança do estado de São Paulo. Ele tinha também a função de obter informações privilegiadas dentro do conselho e repassá-las ao PCC.

Os advogados também são os responsáveis por estruturar e custear os serviços médicos prestados aos detentos integrantes da cúpula ou outros indicados. O pagamento desses serviços era feito com dinheiro de origem ilícita da organização, do lucro do narcotráfico e demais crimes.

Santos e os outros advogados são suspeitos de movimentar dinheiro do crime organizado em suas contas bancárias e ainda de ajudar a criar uma espécie de banco de dados com os nomes e endereços de agentes penitenciários e de seus parentes. Essas pessoas poderiam ser mortas quando a facção julgasse necessário.

As informações são do G1.

Anúncios

Um comentário sobre “Infiltrado do PCC recebia mesada para criar falsas denúncias de violação de direitos humanos para desestabilizar Polícia Militar de SP

Deixe uma resposta