MP do Rio detona preconceito da extrema esquerda contra evento pela segurança pública

O Ministério Público do Rio de Janeiro organizou um evento para 15 de setembro de 2017 onde será discutida a segurança pública. O nome do evento é “Segurança Pública como Direito Fundamental”, trazendo palestrantes como Kim Kataguiri e Alexandre Borges, dentre vários outros, de diferentes matizes ideológicas.

A extrema esquerda, evidentemente, está chiando muito.

Por exemplo, lemos um texto no site pró-PT Justificando (hospedado no site da Carta Capital) , escrito por Roberto Tardelli, intitulado “Carta aos Promotores e Procuradores do Rio de Janeiro: cancelem esse infeliz evento”: 

Promotores, Promotoras, Procuradores e Procuradores do Ministério Público do Rio de Janeiro,

Esse seminário é uma overdose de ódio e somente fará seus frequentadores, honestos e corretos, serem consumidos pela dependência do ódio. Sairão com suas mentes absolutamente fechadas pelo ódio. Os olhos serão crispados pelo ódio e nada mais conseguirão distinguir da realidade, além do ódio.

Conclamo aos que não se contaminaram para que desenvolvam todos os esforços que puderem para que esse seminário não ocorra.

Peço, suplico, aos promotores(as) de justiça e procuradores(as) de justiça cariocas e do Brasil, aqueles que ainda não estão tomados por essa dependência ao ódio, que lutem com as forças que dispuserem para que esse seminário não ocorra.

Peço, suplico, ao Ministério Público do Rio do Janeiro para que atente para sua vocação constitucional e cancele esse evento infeliz, que somente se prestará a alimentar a destruição, preconceitos e horrores dos quais precisamos nos livrar.

Cancelem isso, por Deus! Cancelem em nome de qualquer coisa, mas cancelem!

Pelos seus filhos, cancelem! Pelos nossos sonhos de cidadania, cancelem! Pelo que existe ainda de humanidade a percorrer vossas veias, cancelem!

Mas eu entendo. Se não cancelarem, eu entendo.

Nosso cérebro se desenvolveu para que passássemos o menos sofridamente possível por todas as crises que a evolução da espécie poderia trazer. Somos os mais numerosos na face desse pequeno globo perdido no éter certamente porque somos a espécie mais adaptada, aquela que soube superar todas as adversidades e espalhar-se por toda a extensão da Terra. Humanos, seres humanos, são encontrados em todos os cantos do planeta.

Dentre as milhares de razões, existe uma interessantíssima: o prazer, a chave do consumo de drogas, como cocaína, álcool, maconha, etc, ativaram nossa produção de serotoninas. Ficamos felizes, eufóricos, sentimo-nos gratificados, saciados, poderosos, criativos, etc. Não é por outra razão que os mitos do rock dos anos 60/70 entupiam-se de LSD e heroína, porque sentiam sua criatividade ultrapassar os limites humanos do instrumento.

O drama, a tragédia, a desgraça está em que essa relação droga & prazer é aprisionadora. Com o tempo, o que era para ser prazeroso torna-se desesperadamente sofrido, doloroso, angustiante, aterrorizante, nada mais que a frustração desse prazer fracassado.

Todavia, como nosso cérebro desaprendeu a viver sem ela, instalamos em nós o pior dos mundos: a angústia do prazer que jamais obteremos, mas que nos cobra a ingestão de mais e mais droga, porque nela se concentra nossa capacidade de viver e de não viver. Deve ser desesperador.

Quando vi o Ministério Público Carioca anunciar um seminário como esse, minha conclusão é só uma: há também uma doença, uma dependência institucional a um mal, que fez o mesmo estrago provocado pela droga, a doença do ódio, na sua face mais dura, de um ódio bruto, fisiológico, interno, marcadamente feroz.

Quando se começa a odiar, não uma pessoa que nos causou mal, o que seria compreensível, mas a odiar um segmento estereotipado de pessoas que associamos ao mal que combatemos, a primeira sensação euforizante que nos vem é a superioridade moral. Essa superioridade moral nos conduz a um patamar de meta-humanidade, em que somos mais e podemos mais do que aqueles que combatemos, em nome de sociedade, difusamente considerada, desfocadamente vista. A superioridade moral nos torna super-heróis; não nos submetemos à Lei, eis que somos a encarnação da lei e a que tornamos mutante, sempre a fazendo na forma como a que desejamos.

Nessa fase euforizante, a energia sobe a níveis que nunca víramos e passamos a nos deliciar com a sensação de onipotência, de força, de virilidade. O ódio nos dá tanta força que passamos a viver em função dele. A nossos inimigos, imprimimos uma negação sistemática de humanidade, até reduzi-los a dejetos ideológicos, a restolhos humanos, que podem ser empilhados em celas infectas e superlotadas, podem ser assassinados pelas forças policiais, alimentadas pelo mesmo ódio, podem ser mantidos a ferros pelo tempo que ódio desejar.

Quando o ódio se sobreleva, coisas ruins começam a acontecer e podem se tornar naturais e aceitas. Freud identificava nisso o que chamou de pulsão de morte e, sim, pode se tornar uma doença e se instalar em um grupo de pessoas ou em uma sociedade.

A doença do ódio o torna o centro gravitacional de nossas vidas. Tudo o que fizermos, será por ele; tudo o que fizermos, se justificará por ele. Tudo o que necessitarmos será para ele. Perderemos nossa capacidade de perceber e de avaliar outras coisas que existem e que podem substituir-se ao ódio: tudo que o contestar, será ameaçador e deverá ser destruído, para que o ódio possa prevalecer.

Antes que essa doença devaste uma instituição heróica, rogo para que os colegas – permitam-me chamá-los assim – não deixem que esse infeliz seminário se verifique. Se não for possível, passem longe dele; coloquem sinalizadores para que as pessoas fiquem longe.

O ódio é extremamente contagioso.

*Roberto Tardelli é Advogado Sócio da Banca Tardelli, Giacon e Conway.

Só que a gracinha do site Justificando não durou muito, pois o Ministério Público do Rio divulgou o texto Nota de esclarecimento — “Segurança Pública como Direito Fundamental”, que pode ser lido abaixo:

No dia 15 de setembro de 2017, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro realizará evento intitulado “Segurança Pública como Direito Fundamental”.

A ideia é que expositores e espectadores possam refletir sobre o fenômeno criminal a partir da ótica das vítimas, com especial enfoque para as aflições cotidianas vivenciadas pela população em geral, em face do recrudescimento da criminalidade violenta em nosso Estado.

Apesar de vivermos em uma sociedade democrática e pluralista, que prestigia o debate propositivo cujo foco é exatamente a contraposição e a contradição de ideias, a iniciativa foi duramente atacada em manifestações reveladoras de inaceitável preconceito intelectual.

Trata-se de crítica infundada, que deliberadamente opta por ignorar que o Ministério Público fluminense, somente neste ano, já sediou encontros que envolveram as mais plurais perspectivas sobre segurança pública e direitos humanos, a exemplo dos painéis: O Papel do Sistema de Justiça na Efetivação dos Direitos Humanos (06/04), Mulheres com deficiência em situação de Violência Doméstica (13/03), Conflitos e Intolerância no Sistema de Justiça (02/06), Justiça Restaurativa: Um Olhar Para o Ato Infracional (09/06) e Sistema Penitenciário e o Conselho da Comunidade (22/06).

É sabido que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, ao longo de sua história, tem atuação dedicada e exitosa na promoção e defesa dos direitos inerentes à pessoa humana. Procuradores e Promotores de Justiça, no exercício diário de suas funções, velam incansavelmente pela promoção dos Direitos Fundamentais.

A Instituição, por sua vez, tem realizado investimentos crescentes na criação de órgãos especializados na tutela dos direitos humanos, assim como de estruturas voltadas à solução consensual e à adoção de práticas restaurativas em ambientes de conflito.

A proteção à dignidade da pessoa humana e a realização de todos os direitos a ela inerentes são a razão primária da existência de nossa Instituição.

O Ministério Público reafirma seu papel de protagonista na tutela dos direitos fundamentais, bem como seu inabalável compromisso com a livre manifestação do pensamento.

A democracia deve ser praticada diariamente e não apenas utilizada como recurso retórico. É merecedora de veemente repúdio toda e qualquer discriminação de pensamento, porque reduz à condição de inimigo quem ousa pensar de modo diverso.

Todos, inclusive aqueles aos quais se quer negar o sagrado direito à voz, sempre serão ouvidos com respeito nesta Instituição.

O MPRJ seguirá, a passos firmes, na construção de pontes de consenso, a partir do saudável debate de ideias.

Em resumo, a crítica de extrema esquerda se mostrou preconceituosa, censória e avessa à liberdade de expressão. Que feio.

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