Jornalista americano que Lula queria expulsar do país disse que correu risco de morte

Em 2004, o jornalista Larry Rohter – então correspondente do NY Times para o Brasil – quase foi expulso do país depois de publicar numa reportagem que a “predileção do presidente Lula (na época) por bebidas fortes estava afetando seu desempenho no gabinete”.

Em 2012, ele deu uma entrevista à Revista Época, onde contou o que ficou do episódio: “Ele reagiu com o fígado. Foi uma semana difícil, mas passou. As instituições democráticas funcionaram como deveriam e fui poupado da expulsão que o governo buscava. A imprensa brasileira, mesmo não gostando da matéria, defendeu a liberdade de imprensa e eu fui beneficiado por isso. No livro, tenho uma visão equilibrada do governo Lula. O que ele fez foi importantíssimo, tem que dar o mérito devido e o país prosperou”.

Na época, ele disse suas impressões sobre o julgamento do mensalão: “Não entendo por que demorou sete anos para o julgamento começar. Acho que José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério fizeram um dano incalculável à democracia brasileira. O PT chegou ao poder prometendo transparência e honestidade, mas, em vez de cumprir a promessa, traiu o povo e implantou o governo mais corrupto na história da República, liderado por um presidente que fingia não ver, não ouvir e não entender nada, inclusive as falcatruas que aconteciam no próprio gabinete dele. Não sei se ele vai escapar ileso do mensalão. No sentido legal, sim, provavelmente. Mas a imagem dele está manchada e ele sabe disso”.

Ele falou também sobre ser um jornalista polêmico: “Não tenho medo de ir fundo e investigar as coisas mais pesadas. Até hoje acho que aquela matéria sobre o caso Celso Daniel (prefeito do PT que foi assassinado em Santo André) provocou a ira de alguns políticos importantes do PT e eu corri risco de morte, mas isso para mim é história e o país já está em outra etapa”.

Clique aqui para ler a entrevista completa.

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