Jornalista isentão quer o fim do MBL. O motivo? Não afinar para o PT.

por Rafa Silva

 

Em matéria para o jornal ‘Zero Hora”, o jornalista gauche Paulo Germano – aquele tipo de escriba que gosta de denunciar a “polarização” enquanto ataca todos os dias o mesmo adversário – resolveu mostrar de vez sua verve democrática ao torcer para que o MBL tenha o mesmo fim que o PT, por, supostamente, ter “abandonado suas raízes”.

A torcida de Germano demonstra desde já um paralelismo moral torpe: é ridículo para qualquer observador minimamente isento “torcer” para que o MBL desapareça com tanta veemência quanto o PT. Enquanto o primeiro toma posições firmes e diretas contra seus antagonistas – algo válido e necessário no jogo democrático -, o segundo é uma organização criminosa que destruiu o país, financiou ditaduras assassinas e coordenou o maior escândalo de corrupção do mundo. Torcer para o mesmo destino para ambas demonstra, unicamente, que Paulo Germano sente-se desconfortável com a força política esbanjada pelo MBL; e que isso, para o jornalista, é tão relevante quanto arruinar com as contas públicas e a auto-estima do país.

A torcida desnuda, também, o wishful thinking do gaúcho: qualquer análise política minimamente madura demonstra que, ao contrário do Partido dos Trabalhadores, o MBL cresce a cada dia e cumpre seu objetivo histórico. Os exemplos são fartos, e a atual semana comprova isso: na última quinta-feira foi sancionada pelo presidente da república a Reforma Trabalhista, que contou com amplo apoio midiático do movimento. Na reforma, consta o fim da contribuição sindical obrigatória, projeto originalmente protocolado por Paulo Eduardo Martins, fundador do MBL e deputado federal pelo movimento. Um dia antes, na quarta-feira, Kim Kataguiri e Arthur do Val foram recebidos pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que lhes garantiu que o projeto que põe fim nos absurdos da progressão penal – agenda do MBL no último mês – será colocado em pauta entre Agosto e Setembro.

Nas redes sociais, como demonstra o relatório da ePolitcSchool, o MBL lidera com folga como maior influenciador político; e conforme demonstra o ranking da Gazeta do Povo, no Top10 das figuras políticas mais influentes, temos tanto Kim Kataguiri quanto Fernando Holiday. Se considerarmos também Arthur, do canal MamãeFalei, seriam três.

A torcida de Paulo Germano não passa de profissão de fé.

Direita permitida

O jornalista evoca uma origem fictícia do Movimento, em 2013, para justificar suas posições: o suposto MBL, na época, “panfletava contra o Passe Livre”, e “pregava a legalização de transportes e vans como opção de transporte mais barato”. Que bonito! Não existe nada mais adorável para o jornalismo de esquerda do que uma oposição herbívora e irrelevante, que resume sua atuação a panfletagens diminutas em atos dos opositores. Para Germano, provavelmente, tal tipo de MBL conferiria um “colorido” diferente aos Enragés do Passe Livre. Uma direita permitida – como é, hoje, boa parte do movimento liberal no país, perdido que se encontra em busca de validação por parte dos adversários.

Como o jornalista deixa claro,  suas “discordâncias” com o MBL iniciaram-se quando o mesmo tornou-se relevante e começou fazer história: a luta pelo impeachment de Dilma Rousseff. Foi naquele momento que um grupo de direita organizado e propositivo saía das sombras e quebrava a monotonia do discurso único da esquerda. Uma direita incômoda, midiática e competitiva. Sem traumas do passado nem concessões em nome dos validadores do beautiful people. Isso não estava no script. Decerto, deveriam voltar a panfletar sobre vans e peruas. Faz mais sentido na cabeça do analista.

Prossegue, então, com o mesmo lero-lero isentão inspirado por expoentes do murismo amigo, como Leandro Karnal e seu amigo Cortella. “O MBL espalha ódio contra seus opositores”, “é um veículo truculento”, “fustiga a esquerda”. Chega ao ponto de afirmar que ” o movimento fazia um bom trabalho em 2013″, quando nem existia. Para Paulo Germano, o bom trabalho era entregar alguns panfletos irrelevantes. Isso era “ter propostas para o país”.

Este Jornalivre não tem condições de afirmar se as figuras citadas por Germano tiveram sucesso em suas empreitadas liberais com vans e fretados. Do “abandono do liberalismo” do MBL, porém, o material é farto. Destacam-se entre eles os milhões e mais milhões de views de vídeos de seus integrantes defendendo teses liberais, como aqueles de Kim Kataguiri e Arthur do Val. Do confronto que o movimento liderou pelas desocupações de escolas invadidas em nome da “PEC do Fim do Mundo” – a PEC241, responsável por estabelecer um teto de gastos nas contas públicas no país. O debate gerado pela emenda que fizeram à Reforma da Previdência, em parceria com a FIPE. O trabalho de esclarecimento e a pressão sobre parlamentares em nome da Reforma Trabalhista. A propositura do fim do imposto sindical por Paulo Eduardo Martins, seu deputado. A defesa pública e a luta para que o PL 3722, que revoga a discricionariedade do Estatuto do Desarmamento, tenha sucesso. O trabalho austero e efetivo de Ramiro Rosário na Secretaria de Serviços Urbanos de Porto Alegre. A extinção da PRODAN – com economia de centenas de milhões de reais – liderada por Fernando Holiday e posteriormente vetado por João Doria.  A defesa do Uber em Americana por Marschelo Meche. A luta por moralização dos gastos do legislativo em Rio Claro por Carol Gomes, que extinguiu, inclusive, recesso abusivo dos parlamentares locais. A luta pelo Escola Sem Partido de Filipe Barros  ( opa, isso não pode, deve ser coisa de “conservador raivoso”!). Em Porto Alegre, terra do jornalista, foi o trabalho de Arthur do Val e a presença de ativistas do MBL na Câmara dos Vereadores que desnudou a violência e a intolerância do SIMPA, sindicato local que defendia os privilégios do funcionalismo. Seu trabalho, conforme conversas deste Jornalivre com parlamentares locais, facilitou a aprovação das reformas estruturantes de Nelson Marchezan Jr, prefeito que conta com apoio público do movimento.

A menos que Paulo Germano realmente seja fã de um liberalismo alternativo e marginal – constante em rodapés do noticiário político – , podemos crer que a “traição” e “desvirtuação” do MBL deveria ser alvo de aplausos de um escriba que tanto valoriza as ideias liberais. Não sendo este o caso, apenas lamentamos: por ele, por sua torcida e pelos cães que ladram enquanto a caravana passa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

3 comentários sobre “Jornalista isentão quer o fim do MBL. O motivo? Não afinar para o PT.

Deixe uma resposta