Lula diz que estão querendo tirá-lo do jogo político em 2018: “Senão (sic) o golpe não fecha!”

Em coletiva de imprensa concedida na Sede Nacional do PT, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em relação à sentença de condenação a nove anos e seis meses de prisão do juiz Sérgio Moro em que reafirmou sua inocência e a intenção de concorrer às eleições presidenciais de 2018. “Não sei como alguém consegue escrever quase 300 páginas para não dizer nada de provas contra quem quer condenar”, afirmou. Lula diz que a sentença é eminentemente política e faz parte de um golpe iniciado com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Aqueles que prepararam a mentira do golpe contra Dilma não iriam ficar de braços cruzados esperando essa gente voltar em 2018. Qual é a razão de derrubar um governo e dois anos depois deixar essas mesmas forças políticas disputarem as eleições novamente? O golpe não fecha”, disse. De acordo com ele, a decisão de Moro faz parte da tentativa de tirá-lo do jogo político.

O ex-presidente fez várias referências ao início do processo, quando o procurador do Ministério Público Deltan Dellagnol apresentou um slide de “Power Point” com uma montagem em que vários cenários da operação apontavam para Lula e, assim, detalhar a acusação em setembro de 2016. “Eu acreditara que Moro não aceitaria a mentira do Power Point apresentada pelo MP. Quando foi aceito, entendi que era um jogo. Eles tornaram-se prisioneiros da mentira que criaram. Estão condenados a me condenar”, enfatizou. “A partir daí eles não precisaram mais nada, a teoria do domínio do fato, que eles utilizaram de forma moderna com a palavra contexto. Moro não deve prestar contas pra mim, mas para a história”, completou.

A defesa de Lula também fez uso da palavra e classificou a condenação feita pelo juiz da 13a vara federal de Curitiba como “meramente especulativa”. Para os advogados, o juiz desprezou todas as provas apresentadas e perdeu sua imparcialidade nesse processo. De acordo com Cristiano Zanin Martins, nos 964 parágrafos da sentença redigidos por Moro, apenas cinco falavam sobre as provas apresentadas pela defesa. “Se as provas de que  Lula é inocente não tiveram espaço na decisão de Moro, 29 traziam detalhes do depoimento do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e outras tantas traziam matérias da grande imprensa”, analisou. “Temos a certeza de que a decisão será reformada porque a prova da defesa é cabal, declarando a inocência do presidente” disse.

Lula esteve rodeado de integrantes do partido, entre eles a presidente nacional do PT e senadora Gleisi Hoffmann, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o ministro da Coordenação Política de Lula, da Saúde de Dilma e secretário da gestão Haddad, Alexandre Padilha, o senador Lindbergh Farias, os deputados José Guimarães, Benedita da Silva, o ex-governador da Bahia Jacques Wagner, o governador do Acre, Tião Viana.

Movimentos sociais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) estavam representados. O secretário-geral do PDT e presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP), Manoel Dias e a deputada do PCdoB Jandira Feghali também estiveram presentes. A militância do PT fez coro à solidariedade ao ex-presidente e se reuniu na frente do prédio da Sede Nacional.

Diante desse público, Lula discursou em tom de campanha. “Senhores da Casa Grande, permitam que alguém da Senzala faça o que vocês não têm competência para fazer. Permita que a gente coloque o pobre no orçamento da União outra vez”, disse, emendando que quem “acha que é o fim do Lula vai quebrar a cara, porque na política só o povo tem direito de decretar o fim”. “Quero dizer ao meu partido, para que, até agora não tinha reivindicado, mas a partir de agora vou reivindicar ao meu partido o direito de me colocar como postulante à candidatura de presidente”, disse sendo muito aplaudido.

A informação é do Congresso em Foco.

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