Janot faz narrativa para dizer que “só acordo de impunidade da JBS” permitiu identificar esquema de propina de Temer

Durante entrevista ao Estadão, Rodrigo Janot criou uma narrativa para confundir os leitores, comparando o acordo de total impunidade (que ele fechou com a JBS) com as delações premiadas.

Para início do truque hipnótico, ele começou a defender a colaboração premiada (diante da qual ninguém se opõe) dizendo que “desde o caso Banestado”, “tem-se mostrado cada vez mais eficiente no combate ao crime organizado” no Brasil:”Apesar do vasto conhecimento do Ministério Público em grandes investigações, sabemos da dificuldade em desvelar crimes praticados por organizações criminosas, já que a regra, nesses casos, costuma ser a Omertà, ou seja, o silêncio como garantia de vida. Com as colaborações premiadas, os réus confessam os crimes, apresentam detalhes do funcionamento dos esquemas e ajudam na indicação dos líderes.”

Daí, como se fosse num passe de mágica, ele passou a defender o acordo de total impunidade:”No caso da colaboração dos executivos do grupo JBS, por exemplo, fica evidente que sem a colaboração de um integrante da organização não seria possível identificar o complexo esquema de pagamento de propina envolvendo o presidente da República, um deputado federal, um senador e, até mesmo, um procurador da República.”

A narrativa de Janot diz que sem um acordo de total impunidade, os irmãos Joesley e Wesley não colaborariam, o que é improvável, uma vez que pessoas presas normalmente colaboram para reduzir suas penas, sem exigir total impunidade para fazê-lo. Seria absurdo imaginar que os irmãos Joesley e Wesley prefeririam passar 30 anos enfurnados numa cela ao invés de reduzir a pena a 1/6 ou 1/5 apenas por não ganharem total impunidade.

Em resumo, a desculpa de Janot não cola. Não era preciso dar total impunidade aos irmãos Joesley e Wesley para identificar o esquema de propina de Temer.

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