Chavistas estão irritados ao ver que redes sociais expõem sua vida de luxo enquanto o povo fica na miséria

As imagens os mostram mandando beijos de dentro de um avião particular, posando diante de uma loja da Cartier na China, comendo lagosta ou desfrutando de imensas bolos de aniversário. A vida dos funcionários do governo socialista da Venezuela e seus familiares está sendo exposta por ativistas, que publicam cenas de suposta corrupção, enquanto os venezuelanos lutam para fazer três refeições diárias em meio a uma devastadora crise econômica.

Os ataques na mídia e nas redes sociais, dirigidos a funcionários e seus parceiros de negócios, familiares e até mesmo amantes, são outra arma empregada na onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro iniciada em abril e na qual pedem eleições antecipadas.

Uma conta no Twitter, por exemplo, mostrou fotos supostamente da mulher do vice-presidente Tareck El Aissami tomando champanhe e descansando numa praia paradisíaca. Em outra conta, foram publicadas fotos da suposta amante de um poderoso integrante do partido socialista viajando pelo Oriente Médio.

A oposição acusa funcionários de tirarem proveito do controle de câmbio e do boom do petróleo que durou uma década para encher os bolsos. A Assembleia Nacional, em sua maioria de oposição, estima que pelo menos US$ 11 bilhões foram desviados da companhia petrolífera estatal PDVSA.

O governo se defende dizendo que a Venezuela, rica em petróleo, sofreu com a corrupção durante décadas e que está tentando lidar “com algumas maçãs podres”.

O ativistas que acusaram o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, de usar força excessiva para reprimir as manifestações contra o governo, publicaram fotos da filha do ministro em uma situação embaraçosa.

“Acorda, Vladimir Padrino López. Temos uma foto de sua filha que você vai adorar”, escreveu quinta-feira a conta no Twitter @VVperiodistas. Minutos depois, foi publicada uma foto de Snapchat em que supostamente a filha de Padrino e duas amigas mostravam os seios numa festa.

A agência Reuters ainda não conseguiu comprovar a veracidade das publicações nas redes sociais ou contatar as famílias citadas. Os ministérios da Informação e da Defesa não responderam aos pedidos de comentários sobre os casos aqui citados.

Maduro afirma que as táticas de assédio são apenas outra frente no que chama de “insurreição armada”. Em discurso mês passado, o presidente comparou o assédio a funcionários, simpatizantes e suas famílias à perseguição nazista aos judeus.

A campanha centrou fogo particularmente em chavistas que vivem nos Estados Unidos, a quem chama de hipócritas por viverem no país inimigo ideológico do movimento socialista fundado pelo falecido Hugo Chávez.

Os ativistas responsáveis pela conta @YosoyJustin disseram que usam a vida privada dos funcionários em parte por causa da repressão sofrida por manifestantes na última onda de protestos contra Maduro.

Mas até mesmo na oposição há quem esteja precoupado, pois consideram que a campanha é pouco ética e contraproducente, já que alimenta o ódio e poderia complicar uma possível transição.

“Não é correto, nem moral nem politicamente, assediar filhos de funcionários”, disse recentemente o vice-presidente da Assembleia Nacional, Freddy Guevara, acrescentando que isso poderia dar espaço para críticas dos defensores do governo.

Os responsáveis pelo @YosoyJustin, que recusaram entrevistas pessoalmente alegando razões de segurança devido a ameaças, rechaçaram as críticas.

“Não acreditamos que esta ação incentive a unidade chavista”, escreveu @YoSoyJustin. “Pelo contrário, já que estamos mostrando a seus seguidores que eles têm sido enganados, forçados a passar por dificuldades no país enquanto os familiares do governo chavista engordam suas contas no exterior”.

Responsáveis por duas das principais contas no Twitter que postam sobre o assunto dizem que suas equipes recebem até centenas de denúncias diárias, que apuram antes de publicar.

Nas últimas semanas, pelo menos três filhos de importantes funcionários bloquearam suas contas no Facebook.

“Sabíamos que havia corrupção, mas nunca a estes níveis, e especialmente escancarado dessa forma nas redes sociais”, escreveu @VVperiodistas na conta no Twitter que tem aproximadamente um milhão de seguidores.

A informação é do portal O Globo.

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