“Feminicídio” e como as feministas perderam o senso do ridículo

por Francine Galbier

Nesta terça-feira, 30, aconteceu em Buenos Aires uma manifestação em frente à Casa Rosada, ao Palácio de Tribunais e ao Congresso. O ato foi organizado pelo coletivo Fuerza Artística de Choque Comunicativo – F.A.C.C. Se tratou de uma manifestação “artística” de mulheres, nomeada “Feminicídio é Genocídio”. Uma mulher discursou sobre a violência de gênero em um megafone ao som de uma orquestra apenas de mulheres: “temos que nomear a todas, mulheres trabalhadoras, desempregadas, vivas e mortas, loucas: não há sãs.”

Confira o “ato”, que foi gravado e postado nas redes sociais:

Em primeiro lugar, é uma ofensa às artes que isso seja chamado de manifestação artística, mas sabemos que os critérios da extrema-esquerda para o que é arte são extremamente baixos e até mesmo um catarro de espirro num guardanapo pode ser chamado de obra-de-arte por eles.

Em segundo lugar, é estupidez movimentos que buscam igualdade queiram ao mesmo tempo privilégios ou a criação de um crime específico para sua “categoria”. Simplesmente não condiz com a lógica do que se pretende alcançar. No caso do feminicídio, assassinar mulheres pela simples razão de serem mulheres, o tema tem sido debatido e defendido há tempos pelos movimentos feministas de extrema-esquerda e é um daqueles casos em que as militantes se engajam em causas políticas sem refletir sobre como essas ideias representam justamente o contrário do que elas dizem defender.

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Esse é mais um termo que a extrema-esquerda tenta emplacar para convencer o senso comum de que todos os problemas da sociedade se resumem em conflitos de grupos, classes, gêneros, coletivos, etc, e ao pretexto de tornar a sociedade igualitária cria-se meios de dividi-la cada vez mais.

Aqui no Brasil o feminicídio foi tipificado em 2015, ou seja, incluído como modalidade na lei penal sobre homicídio qualificado. Foi questionado na época, no campo jurídico, se essa mudança teria alguma eficácia ou se tratava apenas de algo simbólico, de caráter populista e eleitoreiro. A segunda opção é a correta.

Partindo do pressuposto de que todos são iguais, as leis devem ser universais e objetivas, não sendo mais ou menos relevante um crime ter sido cometido contra homens, mulheres, homossexuais, heterossexuais, brancos, negros, ricos, pobres. Enfim, a lei deve amparar o indivíduo e não suas características.

Mesmo que existam casos de violência específica contra mulheres – e existem, como violência doméstica – não é criando desigualdades jurídicas na legislação, determinando em lei que é mais grave assassinar um tipo de indivíduo do que o outro, que o problema será resolvido.

Por fim, atos como essa manifestação artística, onde vemos mulheres se expondo de forma vexatória e reforçando a ideia de que existe uma perseguição e extermínio acontecendo contra mulheres – “feminicídio é genocídio”, o que não é verdade, só serve para duas coisas: dividir a sociedade em categorias e contribuir para que feminismo seja sinônimo de histeria.

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