Diretas Já: A Operação Salva-Lula

A extrema-esquerda engrossou de vez o coro pelas “Diretas Já”, uma bandeira que vinha levantando desde o início do processo de impeachment de Dilma Rousseff, ainda que de forma mais tímida, e que foi tomando corpo tão logo se percebeu que a queda da petista seria inevitável.

Neste meio tempo, algo aconteceu: Dilma caiu, a extrema-esquerda foi humilhantemente derrotada nas eleições municipais – e diretas – do ano passado, e ela perdeu gradativamente um enorme poder de influência em suas narrativas. As razões para tais acontecimentos são muitas, e não cabe aqui trazer todas elas, mas somente uma: o uso excessivo de mentiras escancaradas para defender suas teses.

Se a extrema-esquerda tivesse sido um pouco mais cautelosa, teria mentido menos para o público, de modo que no longo prazo não perderia sua credibilidade. O que ela fez foi justamente o inverso, e isso acabou inevitavelmente trazendo prejuízos morais para quem se alinha aos seus projetos. Nunca pegou tão mal dizer que se apoia o PT, Lula, Dilma ou qualquer outro grande político da extrema-esquerda.

Sendo assim, o que sobrou? Sobrou apenas a alternativa de atacar vorazmente aqueles que se opõem, e isso eles fazem muito bem, pois sabem ser intransigentes e truculentos sempre que julgam necessário – e eles sempre julgam que seja necessário. Deste modo, a opção mais viável em todo esse tempo não foi a de defender Lula abertamente, porque isso daria errado. Em vez disso, passaram a atacar Temer dia e noite.

Naturalmente, Michel Temer merece ser criticado por seus erros como qualquer outro, ainda mais na posição de um presidente. Mas não é com este intuito positivo que a extrema-esquerda o ataca. O verdadeiro objetivo, no final, é colocar Lula de volta naquela cadeira. Toda essa disputa se trata apenas disso e não menos.

No momento, a bandeira das Diretas Já serve a dois propósitos que se unem: colocar Lula de volta ao cargo e, ao mesmo tempo, livrá-lo da cadeia. Uma vez que seja presidente, terá foro privilegiado e seus casos acabarão nas mãos do Supremo Tribunal Federal, que raramente condena algum político poderoso e que, sabemos, possui laços com o petismo.

A verdade é que a extrema-esquerda não odeia Michel Temer e nem quer de fato tirá-lo de lá. Quando o mesmo Temer estava sentado ao lado de Dilma, eles nunca reclamaram. Atacar Temer é apenas uma ferramenta, uma forma de fazer com que se compre a narrativa de que a saída de Dilma foi prejudicial e que a volta de Lula pode ser uma salvação. A ideia, no fundo, é somente esta.

Portanto, encampar a luta por eleições diretas antecipadas é, de qualquer forma, fazer este jogo. É a este grupo que tal pauta realmente interessa. Muitas pessoas estão de fato incomodadas com a situação do país, com as reformas, com a crise política, e muitas delas com boas intenções. O problema é que estas pessoas estão sendo usadas para as finalidades políticas do grupo que protege Lula a qualquer custo.

Não é do interesse do povo a volta de Lula, e isso está mais do que provado. O ponto é que a extrema-esquerda trabalhou este tempo todo na destruição da imagem de qualquer oponente do petista, para que assim pareçam todos iguais, quando a verdade é que uns são piores do que outros.

A equivalência moral, neste caso, é um serviço prestado aos canalhas.

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Um comentário sobre “Diretas Já: A Operação Salva-Lula

  1. Concordo! Embora ache que Michel Temer pisou na bola, seria absurdamente desproporcional, compactuar com a postura canalha da extrema esquerda!

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