‘Comecei a achar que o Guido mandava em tudo’, diz Joesley sobre propinas nos fundos de pensão

O empresário Joesley Batista, da JBS, relatou, em delação premiada, que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (Governos Lula e Dilma) ‘mandava’ nos esquemas de fraudes envolvendo fundos de pensão de funcionários da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal. Além do ex-chefe da Economia, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também recolhia propinas para o partido oriundas dos investimentos dos fundos.

Os investimentos feitos pela JBS, enquanto sócia dos fundos de pensão, demandavam o pagamento de propinas de 1% aos dirigentes dos fundos, e 1% ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de acordo com o delator.

Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, e Wagner Pinheiro, da Petros, são apontados como os administradores que recebiam os repasses. De acordo com o delator, Vaccari ainda ficava com 1% das propinas repassadas aos diretores dos fundos. As operações rendiam ainda propinas ao ex-ministro Guido Mantega, segundo o delator.

“Eu imaginava na época que o 1% do Vaccari era do partido. Eu imaginava a vida inteira achei que do Guido eu achei que era dele. Até que um dia que ele mandou gastar tudo na campanha que não sei se era dele também. Chegou um dia eu comecei a achar que o Guido mandava em tudo”, afirmou Joesley.

Um caso citado é a construção da empresa Eldorado Celulose, do grupo JBS, empreendimento do qual Petros e Postalis eram acionistas. O investimento de R$ 550 milhões dos fundos é investigado pela Operação Greenfield.

Uma movimentação financeira necessária para a construção de uma fábrica pela Eldorado envolvia a fusão da empresa com a Florestal S/A, o que dependeu da autorização dos outros investidores, entre eles, os fundos de pensão. De acordo, com Joesley, a transação rendeu propinas a Mantega, a Vaccari e aos diretores do Petros e do Funcef.

COM A PALAVRA, GUIDO MANTEGA

A reportagem ligou para o escritório do advogado de Guido Mantega. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RAFAEL T FAVETTI, QUE DEFENDE GUILHERME LACERDA

NOTA À IMPRENSA

Em referência à delação de Joesley Batista, do Grupo JBS, informamos que o ex-dirigente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), Guilherme Lacerda, não foi beneficiário do suposto sistema de propinas descrito pelo empresário.

Como prova, tem-se a extensa investigação conduzida pela Polícia Federal no curso da Operação Greenfield, comandada pelo próprio Ministério Público Federal, que concluiu não ter havido variação patrimonial irregular do ex-dirigente.

Ele está tranquilo sobre a correção de sua gestão na Funcef.

Rafael T Favetti
Advogado

A matéria é do Estadão.

Anúncios

Deixe uma resposta