Estão te fazendo de otário: através de Lobby, servidores públicos poderão se aposentar antes dos privados. Entenda:

por Rafa Silva

Lembra quando você divulgou vídeos cheios de gráficos demonstrando que “não havia rombo na previdência“? Ou quando você fez spam de uma planilha com os “grandes devedores de INSS? Você provavelmente estava achando que estava refutando uma “grande armação” do governo, e trabalhou incessantemente para divulgá-los.

Pois é.

Mas você foi feito de otário.

No último sábado, 22, conforme revela esta matéria do Estadão, descobrimos que parlamentares prometem afrouxar ainda mais a reforma da previdência para os servidores públicos, após os mesmos pressionarem o relator Arthur Maia e demais deputados ao longo das últimas semanas. E o que isso significa?

SIGNIFICA QUE TE USARAM E AGORA VOCÊ VAI FICAR CHUPANDO DEDO

É isso mesmo: o lobby dos sindicatos e corporações do funcionalismo público está prestes a obter sua grande vitória e largará você, trabalhador do setor privado, sozinho na planície e alvo de todas as mudanças previdenciárias.

A matéria é muito clara acerca da demanda do funcionalismo:

Os maiores prejudicados pela imposição da idade mínima de 62/65 para obter integralidade e paridade, segundo uma fonte, seriam aqueles que ingressaram antes de 1999. A regra atual permite que esses servidores reduzam a idade mínima atual dos servidores (60 anos para homens e 55 anos para mulheres) em um ano a cada ano de contribuição a mais em relação ao obrigatório (35 anos para homens e 30 anos para mulheres).

Uma das alternativas que estão sendo analisadas seria impor idades mínimas mais suaves do que os 62/65 da regra definitiva da reforma para que esses servidores, há mais tempo na ativa, possam acessar a integralidade e a paridade. “A solução vai partir daí, mas vamos ter de pensar com muito cuidado no que pode ser feito”, afirmou um participante das negociações. De acordo com essa fonte, a ideia é sim atrasar a aposentadoria desses servidores, mas com um “castigo” não tão duro.

No caso da transição dos trabalhadores vinculados ao INSS, não deve haver mudanças. Embora a imposição de uma idade mínima tenha gerado insatisfação, a avaliação é de que parte dos trabalhadores afetados já iria esperar a aposentadoria para obter um benefício mais vantajoso, escapando do fator previdenciário.

Ou seja: parte substancial dos atuais servidores, contratados antes de 1999, irão se aposentar com idade inferior aos trabalhadores vinculados ao INSS, gerando mais uma distorção no sistema e escancarando ainda mais o regime de castas vivido no país. A medida, além de significar um rombo nas contas públicas, atesta o poder de ação das corporações do funcionalismo dentro do Congresso Nacional.

Servidores estaduais estão fora da reforma

Os servidores municipais e estaduais já tinham feito sua parte no trabalho de pressão política, e ainda no mês de março foram retirados da reforma. Temer prometeu uma legislação de transição que obrigaria os demais entes da federação (estados e municípios) a efetuarem reformas, mas nada disso foi tratado posteriormente. Na prática, não serão afetados. Ao menos a curto prazo.

Desta maneira, a reforma aborda apenas os servidores federais e os trabalhadores do setor privado que contribuem no regime do INSS. Aos últimos, que já pagam maior parte da conta previdenciária, caberá toda a carga de mudanças imposta pela reforma.

Ao fim, conforme previsto, uma reforma que poderia mudar o país se converteu em uma ação com fins arrecadatórios para cobrir parte do rombo que é a atual previdência brasileira.

Reforma proposta pelo MBL propõe igualdade

O Movimento Brasil Livre – MBL, propôs emenda à reforma da previdência contendo ideias revolucionárias: igualar todos os brasileiros, não importando onde trabalham; instituir regime de capitalização onde o indivíduo é dono da própria previdência; acabar com mamatas do setor público e de políticos e, por fim,  diminuir drasticamente  o déficit no sistema.

A emenda, para ter sucesso, precisaria de forte apoio dos trabalhadores do setor privado, que seriam os maiores beneficiários com a equalização do modelo. Estes, porém, não aderiram entusiasticamente à causa e preferiram divulgar material feito pelos lobos em pele de cordeiro – CUT, MTST e associações de servidores públicos.

Terminaram sendo usados e dispensados.

Não foi por falta de aviso.

 

 

 

 

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