Caso Odebrecht: Dirceu teria embolsado R$ 350 mil em espécie

O ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos – um dos 77 delatores da empreiteira na Operação Lava Jato -, afirmou que o grupo fez “pagamentos em espécie de R$ 350 mil” para o ex-ministro da Casa Civil dos tempos de Lula, José Dirceu, quando este já não ocupava mais cargos no governo. As informações são do Estadão.

O executivo disse que “se reunia pessoalmente” com Dirceu e que parte dos valores foi direcionada à campanha do filho do ex-ministro, Zeca Dirceu, para deputado federal.

Segundo o delator, o petista era registrado com o codinome ‘guerrilheiro’ no setor de propinas da Odebrecht.

O depoimento de Fernando Ayres deu base para pedido do procurador-geral da República de abertura de investigação contra Dirceu e Zeca, autorizado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

“Segundo o Ministério Público, o colaborador afirma que esteve com José Dirceu, após este não ser mais Ministro de Estado, por várias ocasiões, quando discutiram eventuais negócios privados que o ex-ministro pudesse intermediar. Nesses encontros também foram tratadas contribuições para as campanhas municipais dos anos de 2008 e 2012 e para o legislativo estadual e federal no ano de 2010, as quais seguiam a indicação de José Dirceu”, destaca o relator da Lava Jato no Supremo.

A Procuradoria ainda lembrou que o ministro que pagamentos em espécie foram identificados com o codinome “Guerrilheiro”, que constava em planilhas do ‘Drousys’, sistema de informática utilizado pelo departamento de propinas da construtora para registrar pagamentos.De acordo com os documentos, R$ 350 mil foram repassados a ‘Guerrilheiro’ e os pagamentos ‘eram feitos diretamente aos beneficiários, e não a José Dirceu’.

“Narra-se, ainda, que nos anos de 2010 e 2014, foram efetuados, a pedido de José Dirceu, repasses a pretexto de auxílio à campanha eleitoral do deputado federal Zeca Dirceu, no valor de R$ 250 mil, por meio do Setor de Operações Estruturadas”, assinala Fachin.

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