Marchezan inicia revolução administrativa em Porto Alegre; prefeito pode tirar cidade de crise histórica

porAndré Silva

Este Jornalivre sempre alertou que as duas frentes modernizadoras do país sairiam de São Paulo e Porto Alegre – mais precisamente das gestões de João Dória  e Nelson Marchezan. As coincidências não são poucas. Ambos os alcaides são do PSDB. Os dois contaram com forte apoio do Movimento Brasil Livre, que também elegeu dois vereadores (Ramiro Rosário e Fernando Holiday), parte importante dos times dos prefeitos. Ambos apoiaram o abertamente o impeachment e, mais do que tudo, defendem iniciativas modernas e ousadas para tirar suas cidades de uma situação precária.

Enquanto Dória pegou uma São Paulo em situação difícil – mas contornável – , Marchezan encontrou sua Porto Alegre praticamente destruída. As contas públicas estão estouradas, o orçamento é irreal e os serviços públicos são de baixa qualidade. Mais do que restaurar a eficiência, tornou-se necessário reformar a administração portoalegrense de uma vez por todas. Assim se iniciou a saga de Marchezan.

Corte de gastos, briga com sindicatos e parceria com a iniciativa privada

Os primeiros meses de administração Marchezan foram marcadas por um forte choque de austeridade: o prefeito cortou 15 secretarias e instituiu um regime de contratação profissional, baseado num banco de talentos, que impediria a nomeação de cargos comissionados baseados apenas na indicação política.

Cortou também diversos gastos e regalias, como o uso indiscriminado de carros oficiais, e ajustou as contas públicas para um cenário de calamidade que se aproximava. Foi necessário muita habilidade e negociação para manter os serviços básicos em andamento.

Sua gestão ganhou bastante repercussão quando exigiu dos professores da rede municipal uma maior atenção com os alunos: deveriam cumprir horário completo, como ocorre em outras cidades, e parar de computar o período de almoço como hora-aula. Os sindicatos, de esquerda, resmungaram. Mas o prefeito levou a melhor.

Outra de suas “bolas dentro” foi a parceria com a iniciativa privada para enfrentar um problema que sufoca a cidade mas que não é, de origem, sua atribuição: segurança pública. Para enfrentar o problema que mais preocupa os habitantes da capital gaúcha, Marchezan buscou apoio na iniciativa privada para reformar viaturas da Brigada Militar que se encontravam sucateadas por falta de manutenção.

Após as reformas, elas voltaram ao serviço e reforçaram bastante o serviço de rondas ostensivas na cidade.

Novo desafio: poupar supersalários para manter folha de pagamento

O grande desafio de 2017 de Marchezan, porém, está prestes a começar. Com arrecadação em queda e orçamento irresponsável herdado da gestão anterior, o jovem prefeito deverá fazer escolhas severas para evitar o pior: atrasos na folha de pagamento.

A primeira medida a ser adotada foi um inédito teto de salários para servidores municipais. Porto Alegre, como é sabido, possui centena de funcionários que recebem acima do teto constitucional. Ao publicar o decreto, na última sexta-feira, o gestor municipal iniciou uma economia que irá chegar aos R$60 milhões – valor extremamente necessário para arcar com as contas da prefeitura.

Ainda assim, é esperado algum tipo de atraso salarial. De acordo com especialistas, a crise nas contas públicas permeia praticamente todos os estados da federação, mas ocorre de forma mais acentuada em estados como o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Com uma base social altamente sindicalizada e governos populistas, o funcionalismo gaúcho é um dos mais poderosos do país, além de extremamente inflexível. A capital do estado reflete isso.

Marchezan deverá apresentar soluções ousadas que resolvam o problema orçamentário. Seus adversários principais serão os sindicatos e as corporações acostumadas a grandes mordomias. Uma grande briga se avizinha.

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10 comentários sobre “Marchezan inicia revolução administrativa em Porto Alegre; prefeito pode tirar cidade de crise histórica

  1. A solução ousada que Marchezan está estudando é a velha pratica de jogar no colo do contribuinte o preço da incompetência pública, aumentar o valor do IPTU, traindo assim seu eleitorado que acreditou no seu belo discurso de nova gestão.

    1. A sorte dos prefeitos está em não haver um poder judiciário municipal. Mesmo assim, terá de enfrentar o judiciário estadual, que costuma “melar” o cumprimento do teto constitucional até para não ter de o cumprir. O que sobra para os administradores é aumentar a carga tributária, mesmo sabendo que elas, no médio prazo, inibem a economia e, assim, a própria eficácia da tributação, que já está muito além do ótimo da curva de Laffer.

  2. Creio que antes de publicarem tal reportagem, precisam conhecer a realidade de nossas escolas municipais. Principalmente, ouvir a comunidade escolar e só depois escrever algo. Reportagens tendenciosas assim são muito perigosas!!!!

  3. Coitado do Marchezan, assumir essa bomba!
    Ele vai arrumar a casa e para isso vai perder popularidade, depois vem outro prefeito de esquerda e gasta o dinheiro de forma irresponsável para ganhar popularidade e tentar permanecer no poder.
    Infelizmente o povo não tem visão de sustentabilidade, crescimento econômico e longo prazo, eles só conseguem ver o que o prefeito/governador fez ou não fez por eles.

  4. A única coisa que vejo é um crápula atirando a dívida no povo. Funcionários que trabalharam para ter suas vidas vão receber um corte de custos na cara. Enquanto o salário do mesmo continuar intacto. As reformas para melhorar de economia sempre esbarram no funcionário humilde e nunca nos benefícios esdrúxulos da politicagem.

  5. Serviços de má qualidade pela falta de investimentos. Mas como tudo é culpa do funcionário público, eles é que serão prejudicados. Por que não cortam ccs???? Por que não diminuem seus salários? Sinto.muito, mas esta reportagem e este jornal não me representam e nem a maioria da população que sempre paga pela incompetência dos gestores.

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