Mitologia, heróis, história e trocadilhos: entenda os nomes das operações da PF

Além do protagonismo nas investigações de corrupção em âmbito nacional, a Polícia Federal tem se destacado nos últimos anos pelos curiosos nomes que batizam suas grandes operações.

A Jovem Pan Online fez um levantamento das operações com os nomes mais criativos dos últimos anos. As referências vão de novelas famosas a expressões bíblicas, passando por personagens mitológicos, históricos, de desenhos animados e filmes. Ou a designação pode ser apenas um trocadilho que diz respeito ao delito apurado ou ao nome/função de um dos investigados. Relembre:

Operação Quinto do Ouro (2017): A Policia Federal dá mais uma aula de história nessa operação que investiga desvios que teriam beneficiado membros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (cinco conselhieros do TCE-RJ foram presos) e da Assembleia Legislativa (o presidente da Alerj, Jorge Picciani, foi levado a depor em condução coercitiva). O nome faz referência ao “Quinto da Coroa”, imposto de 20% (um quinto) que a Coroa Portuguesa cobrava de mineradores no período colonial. “Apesar do rigor na criação de urna estrutura administrativa e fiscal, visando sobretudo à cobrança dos quintos, o imposto era desviado”, explica a PF. A “santidade” moral dos envolvidos também parece questionada, pois uma forma comum de burlar o Quinto era o uso de imagens sacras ocas em que se escondia o ouro, os “santos do pau oco”.

Além disso, segundo a PF, os alvos são suspeitos de compor esquema de propina que pode ter desviado até 20% de contratos com órgãos públicos, valor semelhante ao quinto da Coroa.

Operação Carne Fraca (2017): a polêmica operação que apurou por dois anos corrupção na fiscalização de frigoríficos e fraudes na produção de carnes, especialmente no Paraná, traz uma dupla referência no nome. Além da qualidade duvidosa de alimentos fornecidos ao consumidor, “a expressão popular demonstra uma fragilidade moral de agentes públicos federais”, explica a PF.

Operação Blackout (2017): acabou a luz e pai e filho com esse sobrenome (Jorge Luz e Bruno Luz), apontados como operadores do PMDB, foram presos na 38ª fase da Operação Lava Jato.

Operação Calicute (2016): a cidade indiana que dá nome à operação é onde naus de Pedro Álvares Cabral foram destruídas e saqueadas, após ele já ter passado pelo Brasil. Referência ao sobrenome do descobridor do Brasil e também do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que foi preso por supostamente liderar um grande esquema de desvios e corrupção no Estado.

Operação Barba Negra (2016): o famoso pirata dá nome à operação contra a pirataria online e derrubou três sites de filmes como armagedomfilmes.biz, filmesonlinegratis.net e megafilmeshd20.org.

Operação Salve Jorge (2016): homenagem à novela que problematizou o tráfico humano, a operação combateu quadrilha especializada em tráfico internacional de pessoas para a exploração sexual.

Operação Hipócritas (2016): o trocadilho da operação, que investigou fraudes médicas em perícias trabalhistas para beneficiar grandes empresas, refere-se ao juramento de Hipócrates, feito por todos os médicos ao se formarem no qual prometem exercer a medicina honestamente e sem causar mal a outrem, e também ao comportamento de muitos dos investigados que, em grupos profissionais, se manifestavam contra a corrupção de políticos, mas cometiam atos de corrupção nas perícias médicas que realizavam.

Operação Hidra de Lerna (2016): investigar corrupção no Brasil muitas vezes é igual a combater o monstro mitológico grego. Ao cortar a cabeça da hidra de lerna, surgem duas novas. Foi o que a PF descobriu: ao chegar a um dos líderes de organização criminosa na Operação ACrônimo, dois novos inquéritos foram abertos, inclusive o que permitiu a operação que investigou fraudes em licitações e contratos do Ministério das Cidades e financiamento ilegal de campanhas na Bahia.

Operação Caça-Fantasmas (2016): a lembrança à famosa equipe que fez sucesso nos cinemas para nomear a 32ª fase da Lava Jato matou dois fantasmas numa cajadada só. A primeira referência é às empresas-fantasma, de fachada, usadas para lavar dinheiro por meio do escritório Mossack Fonseca em contas do exterior. Além disso, um dos principais alvos foi Edson Paulo Fanton, representante do banco panamenho FPB no Brasil, cujo sobrenome lembra o termo em inglês para fantasma: “phantom”.

Operação Carbono 14 (2016): Nessa fase da Lava Jato, a Polícia Federal ressuscitou o caso Celso Daniel e relacionou personagens como Ronan Maria Pinto, Banbco Schahin, José Carlos Bumlai e Marcos Valério a negócios da Petrobras. O nome é em referência à técnica do carbono 14, usada pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos.

Operação Lázaro (2016): assim como o personagem bíblico foi ressuscitado, os membros da quadrilha usavam nomes de pessoas mortas para realizar saques fraudulentos de precatórios da Polícia Federal.

Operação Rios Voadores (2016): Operação conjunta da Receita, MPF e Polícia Federal desmantelou quadrilha que fazia grilagem de terras e desmatava partes da floresta amazônica. O nome é científico. “Rios voadores” são cursos de água atmosféricos invisíveis que transportam umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil, abastecendo-as pela chuva. O volume da água transportada pelos ares tem diminuído devido ao desmatamento, uma vez que boa parte vem da evapotranspiração das árvores.

Operação Wolverine (2016): um caso que nem exigiu tanta criatividade. Ex-tesoureiro da Caixa Econômica Federal aproveitou confraternização de funcionários da agência para roubar dinheiro do cofre e foi registrado pela câmera de segurança. No dia seguinte, ele mudou a foto de perfil em sua rede social para a do herói de quadrinhos da Marvel. Foi encontrado em Itajaí (SC) pronto a fazer um curso de mergulho na operação que adotou o nome de seu personagem favorito. Ele ainda apresentou um documento falso ao ser abordado, mas não foi informado se o papel também tinha a imagem de Wolverine.

Operação Mar de Lama (2016): lama da corrupção e literal. Investiga desvios bilionários de contratos do município de Governador Valadares (MG) com o serviço de esgoto. Grande parte do bilhão desviado, porém, destinava-se a ajudar na reconstrução da cidade e ajuda aos moradores, que sofreram com forte chuva em 2013, que atingiu 25 bairros, destruiu dezenas de casas e desalojou milhares de pessoas.

Operação Bye Bye Brasil III (2016): a despedida do Brasil em inglês refere-se à tentativa de falsificar documentos para brasileiros que tentam vistos, principalmente o dos EUA. Contratos sociais de empresas, declarações de imposto de renda e holerite de pagamentos de salários eram falsificados.

Operação Flinstones (2015): objetivava recuperar fósseis e artefatos de cavernas ilegalmente.

Operação Nessum Dorma (Lava Jato, 2015): um aviso direto a políticos. “Ninguém dorme” com a Polícia Federal às portas. A expressão em latim nomeou a operação que prendeu o executivo da Engevix José Antunes Sobrinho e do lobista João Augusto Rezende Henriques. A apuração referia-se à compra de navio-sonda da Petrobras.

Operação Vidas Secas (2015): contra empresas suspeitas de superfaturamento na transposição do Rio São Francisco, envolvendo nomes também investigados na Lava Jato. O nome refere-se à obra de Graciliano Ramos que conta a trajetória de uma família afligida pela miséria e pela seca no sertão nordestino.

Operação Catilinárias (2015): na operação em que a Polícia Federal fez buscas na casa do então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) a referência é a discurso do cônsul romano Marco Túlio Cícero contra o senador Lúcio Sérgio Catilina, em que diz:  “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio?”.

Operação Exterminadores do Futuro (2014): contra funcionários públicos mineiros que teriam desviado dinheiro da Educação voltado à construção de escolas rurais, extinguindo o futuro das crianças desassistidas

Operação Dark Side (2013): policiais civis envolvidos com o tráfico de drogas teriam sido atraídos para “o lado negro da força”.

Operação Loki (2013): investigou fraudes no INSS. Referência ao deus da mitologia nórdica que simboliza a trapaça, devido “à inserção de vínculo empregatício mentiroso, visando à obtenção de benefícios fraudulentos com prejuízo aos cofres públicos”

Operação Highlander (2010): contra fraudes no INSS em Recife, em que pessoas usavam nomes de pessoas mortas para receberem o benefício. Highlander, o Guerreiro Imortal é um filme de 1986 e o personagem de fato não morria.

Opeação Maet (2010): Referência à deusa egípcia da justiça e do equilíbrio que julgava as almas pecadoras. Justiça que foi corrompida por membros do Judiciário de Tocantins, que vendia sentenças.

Operação Senhor dos Anéis (2009): contra o tráfico de animais. Os traficantes colocavam anéis de identificaçãos nos bichos silvestres retirados de seu habitat.

Operação Caixa de Pandora (2009): ao ser aberta a caixa que continha os males do mundo, a Polícia Federal descobriu a distribuição de recursos ilegais a políticos da base aliada ao governo do Distrito Federal. O escândalo envolveu o então governador José Roberto Arruda (DEM).

Operação Castelo de Areia (2009): investigou lavagem de dinheiro e propina tendo como centro a construtora Camargo Corrêa e envolveu nomes importantes, como Michel Temer, Gilberto Kassab, Valdemar Costa Neto, Adhemar Palocci (irmão de Antonio) e outros. O castelo de areia desmoronou quando a Justiça anulou a operação devido a provas obtidas ilegalmente.

Operação Pasárgada (2008): Investigou liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios. A referéncia é o famoso poema de Manuel Bandeira (1886-1968) que começa com a estrofe: “Vou-me embora pra Pasárgada/ Lá sou amigo do rei/ Lá tenho a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei. O delegado justificou à época: “Estamos trabalhando para que cidades, assim como a de Bandeira, que parece mas não é, deixem de existir”.

Operação Pinóquio (2008): contra a exploração ilegal de madeira, assim como o nariz da personagem.

Operação Toque de Midas (2008): investigando fraude em ferrovias que passam por garimpos. Rei Midas é um personagem mitológico que transformava em ouro o que tocava.

Operação Arca de Noé (2008): desarticulou quadrilha que operava jogos ilegais, como o jogo do bicho (daí a referência ao barco do relato bíblico que salvou os animais) no Ceará.

Operação Freud (2007): quadrilha que fraudava a previdência tinha bispo que atribuía laudos falsos para pessoas com problemas mentais para se obter afastamento por invalidez.

Operação Eros (2007): investigava o tráfico de Viagra, remédio que ajuda impotentes a consumar o amor passional que o deus grego representa.

Operação Good Vibes (2007): contra o tráfico de drogas sintéticas em Belo Horizonte (MG)

Operação Matusalém (2007): mais uma que prendeu servidores suspeitos de fraudar o INSS. Referência ao homem mais velho dos relatos bíblicos, que viveu 969 anos antes do dilúvio universal.

Operação Afrodite (2006): prendeu pessoas que aliciavam mulheres para a prostituição em outros Estados e Países. Referência à deusa grega da beleza e da sexualidade.

Operação Tarantela (2006): prendeu pessoas ligadas ao tráfico internacional de mulheres com o fim de explorá-las sexualmente. Um dos principais destinos era a Itália, onde a dança da tarantela é famosa.

Operação Ctrl + Alt + Del (2006): prendeu hackers que criavam clones de sites de bancos para coletar dados de vítimas. A expressão que dá nome à operação é um atalho do teclado que permite o fechamento rápido de páginas.

Operação Cegonha (2006): predeu suspeitos de enviarem crianças ilegalmente para os EUA.

Operação Sanguessuga (2006): mais um que roubava o “sangue” do povo, a operação desmantelou quadrilha envolvendo diversos deputados e senadores que desviava recursos públicos direcionados à compra de ambulâncias.

Operação Gato de Botas (2006): prendeu policiais rodoviários estaduais de Mato Grosso do Sul suspeitos de se envolverem com o tráfico de drogas, veículos e outros produtos contrabandeados do Paraguai e da Bolívia. Segundo a PF, o personagem que dá nome à operação tem como características a esperteza, a mentira e a trapaça e usa botas de cano longo, como os policiais rodoviários.

Operação Branca de Neve (2006): investigou lavagem de dinheiro roubado do INSS, que ficava mais branco que a neve, por meio de compra de imóveis e de obras de artes, além de aplicações financeiras e uso de paraísos fiscais como as Ilhas Virgens Britânicas.

Operação Curupira (2005): o personagem folcórico que protege as florestas batizou a operação que desmantelou grande esquema de extração irregular de madeira do Mato Grosso. O diretor do Ibama foi preso.

Operação Firula (2005) contra esquema de evasão de divisas, sonegação e lavagem de dinheiro envolvendo negociações de jogadores de futebol.

Operação Narciso (2005): investigou notas frias da loja de luxo Daslu.

Operação Vampiro (2004): quadrilha de empresários, lobistas e servidores tinha como alvo a compra de hemoderivados. A referência ao sangue é óbvia.

A matéria é da Jovem Pan.

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