Manifestação de 26/03 foi a menor de todas. Entenda as razões.

por Júlio Santos

É inegável. O último domingo (26) presenciou a menor das manifestações organizadas por grupos como o MBL e o Vem Pra Rua. A imprensa logo correu para tocar suas trombetas. “Fracasso”, “grupos perdem força”, “manifestação mostra desinteresse do público”. Folha de São Paulo, Estadão e cia fizeram o máximo para tripudiar daqueles que apearam do poder a maior quadrilha política das Américas.

Este Jornalivre concorda que as manifestações do último domingo não tinham razão de ser. As pautas, difusas, não tinham endereço certo. Alguns movimentos, como o Vem Pra Rua, trabalham com a criminalização da política – o que fortalece apenas o PT. A fórmula, desgastada, já era alvo de críticas por parte do MBL, que há muito tempo migrou sua ação política para outras esferas.

Entenda aqui 5 razões para a baixa adesão do 26/03:

  1. Ausência de inimigo claro

As manifestações pelo impeachment contavam com adesão superior das pessoas por diversas razões: crise política, medo de golpe de estado petista, indignação com a corrupção e perspectiva de vitória. Isso ocorria pois havia um inimigo claro a ser combatido, organizado e ramificado. Para os brasileiros, havia sensação de pertencimento e missão.

Hoje, esse sentido se perdeu. A existência de múltiplos focos e a interpretação errada dos fatos deu fim à polarização aparente e tirou o engajamento das pessoas. Para Kim Kataguiri, do MBL, esse era um erro que o movimento já previra e buscava evitar. Ainda assim, aderiu ao 26/03 pois diz ser  importante “marcar posição em apoio à Lava Jato”.

2.  Cair no conto da imprensa

Parte dos movimentos, por ausência de visão estratégica, embarcou na tese do “quanto pior melhor” liderada pela imprensa de esquerda que sempre os combateu. A ideia de que PSDB, PMDB e PT são iguais não é verdadeira – o PT foi o pior pois usava a corrupção para comprar poder em seu projeto ditatorial.

A imprensa, que sempre renegou tais movimentos, os pressionou para que não fossem “incoerentes” e trabalhassem em seu nome para atacar a tudo e a todos – menos o PT.

3. Confiança no andamento da Lava Jato continua. 

Muitas teses foram levantadas para justificar o “fim da lava jato”. Desde a morte de Teori Zavascki, diversas teorias de conspiração foram criadas para criar um alarmismo exagerado sobre o fim da operação. Na prática, porém, a Lava Jato prosseguiu firme e forte, acalmando os ânimos da população e jogando as teorias no lixo.

4. Manifestação é um meio; a causa é o fim

Certos grupos acreditam que o ato de “sair às ruas”, por si só, justifica sua atividade política. A ideia de que o povo vai conduzir todo o processo político nas ruas, ignorando a política, não é apenas errada: é autoritária. Tão logo a temática deixou de ser o impeachment e passou a ser difusa e complexa, perdeu-se em redundâncias e falta de urgência.

Para Renan Santos, do MBL “a atividade política deve ser feita de muitas maneiras. Convencimento, batalha de narrativa, debates, eventos menores, expansão territorial, eleição de representantes. Achar que manifestação resolve tudo é perda de tempo.”

5. Brasil não evoluiu completamente e segue parte da agenda da esquerda

As mesmas pessoas que saíram às ruas pela queda do PT ainda defendem, parcialmente, sua agenda política. Não foram poucos os que bradavam contra mudanças na previdência ou na legislação trabalhistas – medidas fundamentais para gerar empregos e tirar o Brasil do buraco. Esse misto de sensações difusas não gerou pertencimento, diminuindo o raio de ação política.

Alguns grupos como o Vem Pra Rua renegaram a defesa do direito de defesa, compactuando com o estatuto do desarmamento. Outros, como os caricatos militaristas – e o ator pornô Alexandre Frota – adotavam discurso niilista e negacionista. Tais posturas desmobilizaram a participação política de liberais e conservadores que vem, de alguma maneira, pautando o debate político nacional.

 

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6 comentários sobre “Manifestação de 26/03 foi a menor de todas. Entenda as razões.

  1. Querer comparar as manifestações pró impeachment com as de ontem é um erro. São duas coisas separadas, as primeiras uniam as pessoas num objetivo concreto e comum (o impeachment), já as de ontem os objetivos eram abstratos para a maioria das pessoas (a auto anistia ao caixa 2; a fim do foro privilegiado e contra o voto em lista). Esses objetivos me parecem longe das pessoas, além do mais, o impeachment da Dilma estava ligado a questão da economia que estava péssima, hoje a economia já parou de piorar, inclusive, para muitos economistas, a economia já está até melhorando.

  2. Viva o Partido dos Trabalhadores!
    Abaixo o analfabetismo político!
    Por um Brasil justo para todos os trabalhadores! Contra a escravidão!
    Contra o atraso!
    Somente militar deve possuir e portar armas! Não dar mais lucro às indústrias de armas!
    Lula 2018!

  3. Tudo errado!!!! Não enxergam?!! O povo está com nojo das Reformas da previdência e trabalhista!! O povo não apóia, não quer e não aceita. Não tem trabalhador de direita que possa engolir uma trapaça dessas! Parem de “achar chifre na cabeça de cavalo”!!!

  4. Outro fator. Mesmo pessoas de direita são contra essa reforma da previdência e essa reforma trabalhista. Entendem que as reformas são necessárias mas deveriam atingir politicos e marajas do serviço público. Por coincidência PT e CUT também estão contra essas reformas por outros motivos. Isso torna o cenário confuso. Nao quero ir a rua pra defender o mesmo que a CUT.

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