Juiz responsável pela Operação Carne Fraca diz que “nunca houve indícios de carne imprópria para consumo”. Como assim?

por Baltazar Soares

Eis que uma semana após o escândalo sobre as carnes envolvendo JBS e BRF, surge o juiz responsável por expedir os mandados da Operação Carne Fraca dizendo algo que é, no mínimo, um tanto curioso.

O juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, disse em entrevista ao portal G1, com muitos dias de atraso, que não há nenhum indício até o momento de que as empresas envolvidas no escândalo estivessem colocando carne imprópria para consumo nas prateleiras dos supermercados.

“A investigação teve como finalidade a apuração de corrupção de um determinado grupo de fiscais inicialmente no estado do Paraná, que alegadamente não cumpririam com seu dever como manda a lei. Em determinada circunstância, portanto, cometiam crimes contra a administração publica, tais como a corrupção”, disse o juiz.

Depois, ele continuou:

“Não se pode afirmar que nenhuma dessas empresas está colocando no mercado produtos impróprios para o consumo. Essa afirmação seria uma generalização temerária neste momento. O que se pode afirmar é que há indícios suficientes de que representantes de diversas empresas estavam com uma relação muito próxima com fiscais agropecuários e isso causava problemas de corrupção.”

O juiz declara, inclusive, que os laudos apresentados pelo fiscal Daniel Gouveia Teixeira, que deram pontapé inicial às investigações, nunca mencionaram nada sobre carne estragada. Se tudo isso que o juiz Josegrei afirma for verdade, resta a pergunta: De onde surgiu essa história de carne estragada? Quem a inventou?

Outra pergunta que também é muito pertinente, talvez até mais que a anterior, é: Por que o juiz responsável pela Operação Carne Fraca teria demorado tanto tempo para vir ao público dar explicações?

Se, no futuro, vier a se confirmar a tese de que estas acusações contra os frigoríficos eram mesmo infundadas, sobrará para muita gente. Até porque, no caso, estamos falando de um prejuízo bilionário causado diretamente pela perda de credibilidade no setor. Uma coisa é a Justiça jogar o nome de empresas corruptas na lama de forma justa, outra é fazê-lo de forma injusta.

O futuro dirá…

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