Greve da PM no Espírito Santo acumulou prejuízos de R$ 2,4 bilhões em comércio, indústria e agricultura

Uma semana de paralisação e uma semana de prejuízos em todos os setores da economia capixaba. O movimento deflagrado pelas esposas de policiais militares que manteve por uma semana comércio e indústrias fechados e serviços parados, e impactou até mesmo exportações e importações, custou ao Espírito Santo uma perda da ordem de R$ 2,4 bilhões.

A estimativa foi feita pelo economista Eduardo Araújo, baseado no relatório Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualizado pelo índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central. Também foram levados em conta os dados de exportações e importação do Sindiex.

Segundo o estudo, a maior perda se deu no setor mais pujante da economia, o terciário, que engloba comércio, transporte, alojamento, alimentação, atividades financeiras, e outras. Nesse setor, a estimativa é de prejuízo de R$ 1,05 bilhão.

As atividades de agricultura e pecuária deixaram de faturar R$ 32,3 milhões e a indústria, R$ 479 milhões. A estimativa é de perda de R$ 278 milhões em impostos. Nas exportações e importações, o prejuízo é de US$ 203 milhões (R$ 631,3 milhões).

“Quando a gente deixa de comprar uma refeição num restaurante, não é só o dono do estabelecimento que sofre. Com aquele dinheiro, o dono paga funcionários e fornecedores. O produtor do campo é afetado, pois o restaurante vai deixar de comprar. O pessoal do transporte que pega o produto e leva para o centro de distribuição também é impactado. É uma cadeia”, explica o economista Eduardo Araújo.

O professor de Economia da Ufes Celso Bissoli lembra que, para as empresas e o comércio, 25% do faturamento do mês ficou comprometido. Além disso, muita gente ficou sem ter como trabalhar, pois não teve transporte. “Para profissionais liberais, pessoas que fazem limpeza, a renda delas depende de quanto recebem por dia. Sem renda, isso compromete sua capacidade de consumo. Quem não tem reservas, está sendo penalizado.”

O presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri, avaliou que em uma semana de paralisação, o comércio vivenciou uma de suas piores crises. “Tivemos uma semana de zero faturamento. Mais de 300 lojas depredadas, assaltadas. Estimamos um prejuízo acima de R$ 25 milhões com depredações e roubos. E, com o fechamento das lojas, perdas de R$ 230 milhões.”

O presidente da Findes, Marcos Guerra, observou que indústrias de pequeno e grande porte ficaram paralisadas. “Tivemos pessoas trabalhando de casa, mas a construção civil, por exemplo, foi totalmente prejudicada. Isso pode ter impacto nos empregos, pois as empresas estão enxutas.”

Perdas para a imagem

Além do prejuízo que pode ser contabilizado com a paralisação da Polícia Militar, há outras perdas que não entram na conta, aquelas que são impalpáveis: as vidas perdidas e a imagem do Estado.

Prejuízos patrimoniais decorrente de assaltos, acidentes com automóveis, depredação de patrimônio público, além das despesas nos sistemas de saúde são outros custos difíceis de medir, explica o economista Eduardo Araújo. “A perda de vidas humanas é um dado difícil de computar e que tem impacto. Assim como os prejuízos patrimoniais, as pessoas que perderam automóveis, bens, além das empresas saqueadas”, avalia.

Outro fator destacado pelo presidente da Findes, Marcos Guerra, é o desgaste para a imagem do Estado. “No setor de mármore e granito, por exemplo, a maior feira do país do setor acontece em Vitória e foi cancelada”, lembra.

Marcílio Machado, presidente do Sindiex, lamenta os prejuízos à credibilidade das empresas do Estado. “Relacionamento comercial depende de cumprir metas, prazos, objetivos. Como fica a reputação do Estado como centro de logística e comércio exterior? Fizemos um trabalho árduo de credibilidade e no comércio internacional isso se perde muito rápido”, lamenta.

O diretor de marketing da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) no Espírito Santo, Luiz Fantin, afirmou que vai fazer uma campanha fora do Estado para que os turistas não tenham medo de retornar. “Vamos encher de notícias positivas fora do Estado para que o turista volte. Esperamos reverter essa situação”, diz.

A matéria é da Gazeta Online.

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