Desde início da ditadura de Maduro, mais de cem mil pessoas foram assassinadas na Venezuela

Conforme o G1, um dos argumentos usados pelo novo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (AN), Julio Borges, para justificar a decisão de declarar, nos próximos dias, o abandono do cargo por parte do presidente Nicolás Maduro, foi o aumento vertiginoso da violência.

Borges lembra que, desde 2013, ano em que Maduro chegou ao poder, cerca de cem mil venezuelanos foram assassinados: “seria possível lotar cinco estádios de futebol com os cadáveres, esse é o legado de Maduro”.

O panorama traçado por Borges coincide com o último relatório do Observatório Venezuelano da Violência (OVV), de acordo com o qual, em 2016, a taxa de homicídios do país chegou a 92 para cada cem mil habitantes, a mais alta do mundo: “A essência deste drama é que a vida social regida por leis foi destruída na Venezuela”, disse ao GLOBO o diretor do OVV, Roberto Briceño-León.

Segundo ele, nos últimos anos, houve dois fenômenos gravíssimos: aumentaram os delitos e assassinatos por fome, e também as execuções extrajudiciais, cometidas por policiais e militares. Os números divulgados pelo observatório são alarmantes.

Em 2016 foram registrados 28.479 homicídios na Venezuela, um novo recorde. O país superou os níveis de violência de vizinhos latino-americanos como El Salvador e Honduras, que, nos últimos anos, conseguiram melhorar seus indicadores: “vivemos no país mais violento do mundo. De acordo com uma pesquisa do Gallup, os venezuelanos são os mais assustados do planeta na hora de sair à rua. Estamos pior até que o Afeganistão”, assegurou o advogado criminalista Luis Izquiel, assessor da Comissão de Política Interior da AN.

Segundo Izquiel, “o principal motivo que explica o aumento da violência é a deterioração institucional”: “Hoje, matam um venezuelano a cada 18 minutos, e a impunidade é total. Não temos Justiça nem instituições que funcionem corretamente”, enfatizou.

Ele se assustou com o número de assassinados por fome, diretamente relacionados à mais grave crise econômica de toda a História do país: “uma situação de arbitrariedade por parte do poder, com empobrecimento e escassez, promoveu crescimento da violência, mas, sobretudo, o surgimento de uma nova violência por fome”, lamentou o diretor do OVV.

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