Pavinatto dá entrevista a site LGBT e peita o vitimismo: “Forças Armadas não são lugar de mariquinhas”. Vale também para héteros.

Em entrevista ao site LGBT Vipado, o militante do MBL Tiago Pavinatto, também homossexual, comentou a repercussão de seu vídeo, no qual criticou duramente o formando do ITA, Thales de Oliveira Faria. Durante o evento de formatura, Thales recebeu seu diploma de engenharia com uma sandália de salto, maquiagem, cabelo descolorido e um vestido vermelho no qual acusava o ITA de tradição de homofobia, racismo e violência, bem como de excelência em machismo, falsa meritocracia e elitismo.

Pavinatto diz que a atitude de Thales é contraproducente para o movimento LFBT, pois “os gays de pensamento mais à esquerda, mesmo que de forma inconsciente, festejaram a traquinagem desse agora antigo aluno e teceram loas ao fato como tapa na cara da homofobia, sem se dar conta, contudo, de que esse festejo foi pregação para convertidos – e quem já não gostava de gays, é certo, passou a gostar ainda menos – e que o tapa na cara foi na deles próprios. E na minha também. O desserviço foi a atitude dele e não minha crítica, como muita gente me acusou. E isso porque estamos no campo da exceção, das Forças Armadas.”

Pavinatto não nega que exista homofobia na sociedade, assim como nas Forças Armadas, mas a questão é bem outra: insubordinação. Pavinatto diz: “E, sim, as Forças Armadas são campo de exceção porque são a expressão máxima do monopólio da violência pelo Estado, são opressoras por natureza, preparam para a guerra, para a violência, para a morte. É por isso que, por sua curva nos valores democráticos civis, as Forças Armadas nunca devem exercer o Poder Executivo. A experiência de 1964 foi bastante e suficiente para esta constatação.”

Pavinatto lembra que “Thales teve a liberdade de optar ou não pela carreira militar. O que a audiência desqualificada não compreendeu foi que os alunos do ITA optam pela carreira militar ou civil durante o curso. Ou seja, ele poderia optar por ser civil. Não ser militar não o impediria de concluir o curso. Mas ele, por livre e espontânea vontade, escolheu as regras marciais, que são rígidas. E nem poderia ser diferente.”

Ele lembra que o que Thales pediu não foi tratamento igualitário, mas privilégio injustificado. Como agravante, ainda defendeu a insubordinação, o que tornaria as próprias Forças Armadas sem sentido. Isso não tem nada a ver com rejeitar a presença de homossexuais e mulheres nas Forças Armadas, mas com uma observação importante: “As Forças Armadas não são lugar de mariquinhas. E pode haver homem heterossexual mariquinhas. Conhecemos muitos assim. Da mesma maneira que existem mulheres muito guerreiras no sentido literal e que são grandes combatentes.”

Por fim, ele lembra que a atitude de Thales foi útil, mas apenas para os adversários do movimento LGBT: “[A atitude de Thales] não foi inútil na medida em que fez o ódio dos homofóbicos acirrar. Também na medida em que desencadeou um debate e o debate é sempre bom. Errou na forma, que contribuiu apenas para um exibicionismo individual. Não nego que ele possa ter sofrido – e acredito que o tenha e bastante –, mas a forma foi infeliz e a causa informada mais ainda, que é lutar pelo direito de insubordinação. Da mesma forma que não pode haver homofobia nas fileiras das Forças Armadas, não pode, nunca, haver insubordinação.”

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Um comentário sobre “Pavinatto dá entrevista a site LGBT e peita o vitimismo: “Forças Armadas não são lugar de mariquinhas”. Vale também para héteros.

  1. Excelente postura. As Forças Armadas não discriminam homosexual que respeita suas regras. O que eles não aceitam e nunca aceitarão é a quebra da disciplina. Seus códigos de conduta são muito rigorosos e quem não concorda com eles têm a opção de não ser voluntário para a carreira das armas. A exceção é o serviço militar obrigatório de 1 ano.

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