Mídia Ninja, ligada ao PT, é acusada de estelionato, retenção de cachê entre outros crimes

Roubo de propriedade intelectual de artistas, retenção de cachês, utilização de mão de obra não remunerada e estelionato são algumas das muitas acusações que apareceram recentemente, relacionadas ao grupo de extrema-esquerda Fora do Eixo, coletivo cultural liderado por Pablo Capilé e base da Mídia Ninja que tem estreitas ligações com o PT. As denúncias começaram pelo depoimento de Beatriz Seigner, diretora do filme Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano, postado em sua página pessoal do Facebook na última quarta-feira.

A cineasta inicialmente se encantou com o discurso de democratização da cultura do Fora do Eixo, e com o tempo, descobriu que a prática não era assim tão romantizada. Beatriz aceitou participar de festivais em que seu filme era exibido até porque, além de visibilidade, tinham patrocinador e cachê, no entanto, os valores não eram repassados a ela.

Depois de diversos episódios de decepção, Beatriz decidiu divulgar os bastidores do Fora do Eixo, o que serviu de inspiração para que outros artistas e ex-colaboradores seguissem seu exemplo.

O grupo, atuando desde 2005, é conhecido no cenário da cultura independente e ganhou notoriedade com a repercussão da Mídia Ninja. Outros empreendimentos sob seu controle são uma “universidade livre”, apoiada pela Petrobrás; um selo musical, que possui incentivo do Ministério da Cultura; o embrião de um partido político, chamado de Partido Fora do Eixo; e casas espalhadas pelo Brasil onde vivem jovens que não pagam aluguéis mas trabalham em prol do grupo sem receber salário.

Problemas semelhantes teve Fernanda Popsonic, vocalista da banda Lucy and the Popsonics, que disse ter sido incentivada por Beatriz a contar sua história.

“Percebi que esse era o momento de falar, a Beatriz me disse que está recebendo ameaças do grupo, mas agora ninguém pode fazer nada conosco”, disse em entrevista ao site de VEJA.

A vocalista mora em Brasília e após alguns contatos com o coletivo foi convidada, em 2006, para participar do Festival Calango em Cuiabá, no Mato Grosso. O grupo de extrema-esquerda de Capilé prometeu pagar as despesas de viagem. A banda fez sua parte e no fim não recebeu o cachê.

“Recebi um ano depois porque ‘escandalizei’ na internet”, diz Fernanda. “Os artistas independentes entendem quando o produtor não pode pagar. Mas no caso do Fora do Eixo não dá para entender como uma associação que entra em editais, que tem patrocínios de empresas diversas, que recebe dinheiro público do governo não paga os músicos? Isso é trabalho escravo.”

Daniel Peixoto, cantor conhecido pela música Olhos Castanhos, trilha sonora da novela Lado a Lado, também entrou na lista de vítimas. Daniel se envolveu com o Fora do Eixo quando ainda fazia parte da dupla Montage, em 2007, e participou dos festivais organizados pelo grupo de Capilé.

O maior problema da relação entre o cantor e os donos do Mídia Ninja começou em 2011, quando lançou seu primeiro CD solo, custeado de forma independente, e mais tarde comercializado pelo coletivo de extrema-esquerda, que não pagou nada ao artista.

“Gastei cerca de 30 mil reais na produção do CD”, detalha Daniel. “Eu tinha convites para vários selos, mas topei lançar com o Fora do Eixo Discos, pois queria continuar a história que começamos. Minha grande surpresa foi quando recebi as cópias e percebi que não tinham código de barras”, diz o cantor.

De acordo com Daniel, cerca de mil exemplares do CD ficaram com o Fora do Eixo, e até hoje os discos são comercializados em banquinhas montadas nos festivais. “Fui enganado, eles me prometeram uma coisa e fizeram outra”, diz Daniel.
A história fica pior: as músicas do álbum foram registradas pelo IRSC (código padrão internacional de fonogramas) de um selo parceiro da Fora do Eixo no nome de outras bandas, e não pelo cadastro de Daniel. Ou seja, o artista não é considerado o “dono” de suas canções e não recebe os direitos autorais delas, até mesmo da música que foi trilha sonora da novela global.

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Um comentário sobre “Mídia Ninja, ligada ao PT, é acusada de estelionato, retenção de cachê entre outros crimes

  1. É isso que dá se envolver com esse tipo de gente… E tende a piorar quando você abre os olhos e decide jogar a merda no ventilador: você recebe acusações que podem ser concretizadas quando a poeira abaixa…

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