Punir pessoas por “cantadas” na rua é um grave precedente. Hoje multam, amanhã encarceram, depois matam

por Baltazar Soares

É óbvio que nenhuma pessoa decente acha normal o assédio praticado contra mulheres, nem mesmo o assédio verbal. O que acontece, entretanto, é que em Buenos Aires as tais “cantadas” na rua poderão acarretar em multa e trabalhos comunitários forçados.

Em primeiro momento, parece uma ideia aceitável, mas é preciso pensar no que há por trás disso. O que se deve questionar a priori é de onde partiu essa iniciativa. Foram mulheres comuns, cidadãs, ou foram pessoas ligadas a movimentos políticos intolerantes? Se for a segunda opção, certamente esta lei tem cunho político e se trata de ativismo jurídico, uma forma de punir opositores por meio da lei.

Outra questão é que não existe objetividade muito clara para se distinguir o que é ou não uma cantada. É uma linha tênue que separa o homem que apenas falou com uma mulher sem segundas intenções e aquele galanteador xarope que quer importuná-la. Também não dá para considerar que todo tipo de cantada seja necessariamente má, já que algumas são até bem inocentes. Além disso, mulheres também praticam esse tipo de ação, embora com menos frequência.

Esse tipo de lei é perigosa, e se ela for mesmo aplicada pode se tornar um precedente raivoso utilizado para punir pessoas inocentes que se oponham a uma agenda política e cultural imposta.

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