Jorge Viana pode se tornar a versão petista de Waldir Maranhão

Jorge Viana ainda não assumiu a presidência do Senado, mas já enfrenta uma crise sem precedentes. Apesar de ter sido eleito vice de Renan de acordo com as regras do regimento da casa, Jorge Viana pertence a um partido que não reconhece a legitimidade de vices. Além de não reconhecerem a legitimidade dos vices, petistas e aliados da extrema-esquerda querem que Viana assuma com a missão de tirar da pauta a votação da PEC 241/55, a chamada PEC do Teto.

Conforme publicado aqui no Jornalivre, a intenção dos parlamentares da extrema-esquerda ao inviabilizarem a votação de pautas importantes até a eleição do próximo presidente do Senado é justamente prolongar o cenário de incertezas e de crise econômica. Eles pretendem fomentar a narrativa de que foi o governo Temer o responsável pela crise fabricada pelo governo Dilma Rousseff.

Ocorre que os líderes de diversos partidos já haviam acordado com o presidente afastado como se daria a pauta de votações antes do recesso, e Viana já sinalizou que vai suspender o combinado. Caso isso ocorra, as votações importantes ficam para o ano que vem. A tendência é que Viana se torne uma espécie de Waldir Maranhão caso mantenha a promessa de confrontar seus pares para acatar as ordens do partido.

Quando assumiu a presidência da Câmara dos Deputados como interino, Waldir Maranhão tratou de colocar em prática manobras que ajudariam a extrema-esquerda: anulou as sessões que decidiram o impeachment de Dilma Rousseff e suspendeu a CPI da UNE. Diante da manobra, Maranhão foi alvo de um motim inédito na história do parlamento brasileiro. Os líderes ingressaram no Supremo Tribunal Federal com um mandado de segurança contra o presidente da Câmara, além de se organizarem em torno do impeachment do presidente interino. O Senado decidiu não chegou a acatar a decisão de Maranhão por se tratar de ação nula, uma vez que o presidente Renan já havia recebido o processo de impeachment. Na ocasião, Renan afirmou que havia sido desrespeitado por Maranhão quando o presidente da Câmara tentou tirar a decisão das mãos do Senado.

A humilhação de Maranhão não parou por aí. Os líderes passaram a boicotar as sessões presididas pelo deputado, obrigando o parlamentar a humilhante situação de ter que abandonar todas as sessões passando a presidência para o primeiro secretário Beto Mansur. Ao fim, Waldir passou a ser ameaçado não só de cassação como também de expulsão do partido (o caso ainda está sendo tratado pela Convenção do PP).

A repentina superexposição também trouxe prejuízos colaterais: a imprensa descobriu que o filho de Waldir era funcionário fantasma na Assembleia Legislativa do Maranhão enquanto atuava como médico em São Paulo, obrigando o filho do parlamentar a devolver os salários indevidos. O próprio deputado passou a ser alvo de vários processos por improbidade administrativa do tempo em que atuou como Secretário do Meio Ambiente em São Luís e reitor da Universidade Estadual do Maranhão. Também foi descoberto que Waldir anulou o impeachment com a promessa de obter um cargo de Secretário no governo do comunista Flávio Dino, e que a negociação se deu em uma reunião com o governador do estado e com o advogado de Dilma José Eduardo Cardozo. Segundo a imprensa, os dois esquerdistas convenceram o então manobrista de Eduardo Cunha com três garrafas da cachaça Velho Barreiro. Isolado, Maranhão terminou seus dias como presidente interino de maneira melancólica.

Com Jorge Viana, a crise já está instalada. Considerando que o senador representa apenas os interesses do partido, é impossível que consiga unir em torno de si algum consenso para impor a agenda do partido. Líderes como Aloysio Nunes e Ronaldo Caiado já se manifestaram contra as tentativas de descumprimento da pauta.

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