Aluno denuncia cárcere privado e diversas violências na invasão da UFPR

O professor Luiz Guilherme Marioni, da Universidade Federal do Paraná, postou em sua página do Facebook uma denúncia que recebeu de um aluno da instituição. A denúncia recai sobre outros alunos que estariam participando das invasões, mas também recai sobre professores e outros funcionários da UFPR. Abaixo, o relato que o professor Marioni recebeu, na íntegra:

“Prezado Prof. Marinoni,

Diante dos fatos ocorridos nos dias 3 e 4 de novembro no Prédio Histórico, escrevo este e-mail para fazer um esclarecimento e um apelo.

Creio que todos saibam que nossa Faculdade foi invadida na última quinta-feira, por volta das 22h30. Enquanto alunos e professores deixavam o Prédio Histórico ao término das aulas, dezenas de pessoas encapuzadas tomaram o Prédio e cercaram suas portas. Por cerca de 30 minutos, mantiveram alunos e professores em cárcere privado, chegando a agredir verbal e fisicamente vários deles. Os vidros da porta principal foram quebrados e uma das vigilantes desmaiou por efeito do spray de pimenta usado pelos invasores.

Após a invasão, os mais de 1.000 estudantes que frequentam o Prédio Histórico tiveram as aulas suspensas. Alguns alunos da Faculdade de Direito participaram desse ato, que foi comandado por membros do grupo radical ANTIFA, o qual defende abertamente o uso da violência contra aqueles que não seguem a sua ideologia.

Embora parte do corpo discente tenha apoiado e classificado essa invasão violenta como um ato heroico, a imensa maioria dos estudantes expressou seu firme repúdio. Em manifesto lançado na sexta-feira pela manhã, quase 350 alunos e professores se posicionaram a favor da imediata desocupação do Prédio Histórico (em anexo). Ainda na sexta de manhã, cerca de 200 compareceram às escadarias da Santos Andrade para protestar contra a invasão.

Mas o papel dos estudantes independentes não parou por aí. Na sexta-feira à tarde, após as rodadas de negociação entre Direção, Reitoria, CAHS e invasores terem fracassado, a Universidade surpreendentemente anunciou que não ajuizaria nenhuma ação para retomar a posse do seu patrimônio (!).

Indignados com essa posição conformista, três alunos da Faculdade de Direito ajuizaram ação popular com pedido liminar de reintegração de posse (autos nº. 5056115-94.2016.4.04.7000, da 1ª Vara Federal de Curitiba). Diante do iminente deferimento do pedido, logo em seguida os invasores anunciaram a desocupação do Prédio Histórico, a qual se efetivou no sábado pela manhã.

Faço este relato para esclarecer que a imensa maioria dos estudantes da Faculdade de Direito não se conforma, nem tampouco apoia essa invasão violenta, ilegítima e irresponsável do Prédio Histórico. Sabíamos – como o tempo depois viria a confirmar – que alguns alunos veriam a invasão como um ato “heroico” na “luta pela educação”, contra a PEC 241 e o atual Presidente da República. O que não imaginávamos é que alguns professores iriam defender os invasores.

Além do comportamento apático – para não dizer conivente – da Reitoria e da Direção da Faculdade, vale narrar um fato lamentável ocorrido na sexta-feira à noite. Enquanto comemoravam a aprovação de um de seus colegas em banca de monografia, vários alunos da Faculdade foram brutalmente agredidos em plena Praça Santos Andrade por serem supostamente contrários à invasão. Dois deles tiveram ferimentos sérios e precisaram ser encaminhados ao hospital.

Comunicada do fato, a polícia rapidamente chegou à Praça. Quando entrariam no Prédio Histórico para prender os agressores que lá haviam encontrado refúgio, qual não foi a surpresa dos policiais ao serem impedidos por dois professores da Faculdade que misteriosamente se encontravam à espreita por volta das 23h. Um desses professores, inclusive, é renomado processualista. Embora muito respeitado, desta vez preferiu fechar os olhos para a violência sofrida por seus próprios alunos para defender aqueles que os agrediram.

Apesar da gravidade desses fatos, Reitoria e Direção decidiram conceder anistia aos invasores. Não só se comprometeram a não responsabilizá-los administrativamente por seus atos violentos, como ainda prometeram “desenvolver narrativa positiva” sobre a invasão do Prédio Histórico.

Os estudantes sérios da Faculdade, que precisam se desdobrar para assistir às aulas, desenvolver atividades de pesquisa, estagiar e, muitas vezes, obter o próprio sustento estão indignados com essa situação. É um escárnio saber que a partir de amanhã voltaremos a dividir as salas de aula com aqueles que invadiram o Prédio Histórico encapuzados, depredando o patrimônio público, agredindo e mantendo professores e estudantes em cárcere privado.

O quadro atual é inaceitável. A anistia aos invasores apenas estimula a prática de novos atos violentos no futuro. Isso não pode acontecer. Por isso, peço o seu apoio na cobrança de providências mais enérgicas a quem cabe tomá-las. A Faculdade de Direito não pode deixar de ser o ambiente plural, democrático e sério que aprendemos a gostar.

Antes de encerrar, registro meu agradecimento aos Professores Maria Candida Kroetz, Betina Grupenmacher, Clayton Maranhão, Edson Isfer, Luiz Guilherme Marinoni, Marcia Carla Pereira Ribeiro, Marília Pedroso Xavier, Priscilla Placha Sá, René Ariel Dotti, Rodrigo Xavier Leonardo e William Soares Pugliese, que neste momento difícil não se omitiram de defender a Faculdade de Direito e seus alunos.

Desde já, agradeço e fico à disposição.

Cordialmente,

Cassiano Gomes Zimmermann”

6 comentários sobre “Aluno denuncia cárcere privado e diversas violências na invasão da UFPR

  1. Espero sinceramente que estes anarquistas, tenham suas identidades reveladas, e sejam severamente punidos e devam , concertar o que destruíram…
    Chega de impunidade..!!!
    O Brasil precisa de ” Ordem e Progresso”..!

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s