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Escândalo de compra de vacas superfaturadas se abate sobre Família Picciani

O Diário do Poder conta que a matemática Tania Maria Silva Fontenelle, ligada à Carioca Engenharia, afirmou em acordo de leniência com a Operação Lava Jato que comprou vacas superfaturadas da empresa Agrobilara Comércio e Participações Ltda para ‘gerar dinheiro em espécie’ para a empreiteira. A Agrobilara pertence à família Picciani.

A empresa pertence aos peemedebistas Leonardo Picciani, ministro dos Esportes do Governo Michel Temer, Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio, e Rafael Picciani – deputado estadual, secretário de coordenação de Governo da Prefeitura do Rio.

Tania Fontenelle disse que entrou em 1988 na Carioca Engenharia, da qual se desligou em 2015. Segundo a matemática, ela “recebia solicitações de acionistas e diretores da Carioca Engenharia para providenciar dinheiro em espécie e assim procedia”.

“Simplesmente atendia as solicitações de obter dinheiro em espécie e entregava a quem fazia a solicitação ou a pessoas da empresa por eles indicadas”, declarou.

Em delação, Tania relatou que “para gerar tais recursos em espécie, quando eram solicitados, a declarante utilizava a contratação de outras empresas prestadoras de serviços, celebrando contratos simulados”.

Nesta segunda (17), Tania depôs ao juiz Moro em ação penal sobre suposto pagamentos de propinas nas obras do Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes).

“Essas empresas recebiam da Carioca Engenharia os pagamentos previstos nos contratos, retinham a parte referente à real prestação de serviços, quando havia, ficavam com uma comissão entre 25% e 30% e devolviam em espécie o restante à depoente (Tania Fontenelle)”, declarou no âmbito do Termo de Manifestação de Adesão e de Depoimento.

Tania mencionou a Agrobilara Comércio e Participações LTDA. De acordo com dados da Receita Federal, a empresa da família Picciani tem capital social de R$ 40 milhões.

“Agrobilara Comércio e Participações LTDA, mediante a compra, por empresa do grupo da Carioca Engenharia, de animais bovinos com preços superavaliados; que os animais (vacas) foram efetivamente entregues, porém parte do valor pago foi devolvida em espécie à Carioca Engenharia”, afirmou Tania.

Ela ainda disse que “simplesmente atendia as solicitações de obter dinheiro em espécie e entregava a quem fazia a solicitação ou a pessoas da empresa por eles indicadas”.

“Obviamente sabia que a destinação dessas quantias era ilícita, para corrupção ou para doação eleitoral não-declarada; que, entretanto, não manteve contabilidade ou controle disso, pois estava há muitos anos na empresa, tinha a confiança dos acionistas e eram recursos não oficiais que normalmente entregava aos solicitantes”, declarou.

Leonardo Picciani está no Japão e talvez por isso não respondeu à reportagem.

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