Gleisi teria sido eleita com recursos do Ministério desviados pelo marido

De acordo com matéria de Hugo Marques, para a Veja, há algo de muito sombrio no casamento de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo. Ambos são investigados por frentes diferentes, mas há um entrelaçamento das suspeitas sobre eles.

Bernardo é acusado de organizar um esquema milionário de desvio de dinheiro no Ministério do Planejamento quando ocupava a pasta. A Consist, uma empresa de São Paulo, foi selecionada para administrar a lista de funcionários públicos, pensionistas e aposentados endividados que recorriam aos empréstimos consignados, cujas parcelas vêm descontadas automaticamente na folha de pagamento. A taxa foi superfaturada e o excedente dividido, com o PT ficando com 70% de tudo. Conforme a PF, o partido arrecadou mais de 100 milhões de reais em cinco anos com base nesse método.

Segundo a matéria, o dinheiro surrupiado por Paulo Bernardo e o resto da quadrilha foi usado para garantir a aposentadoria e a tranquilidade de alguns companheiros dele do PT, financiando apartamentos de luxo em Miami para outros amigos meliantes, além de ajudar a eleger Gleisi Hoffmann, a senadora mais votada do Paraná, depois de uma campanha suntuosa. A cota do ex-ministro era transferida diretamente pela Consist para um escritório de advocacia de Curitiba, que providenciava a redistribuição da propina. O objetivo era não deixar rastro, mas isso não funcionou.

Gleisi foi descoberta pela Lava Jato logo nos primeiros meses da investigação. De acordo com a PF, ela teria recebido 1 milhão de reais em propinas desviadas da Petrobras por via de doleiros. O escritório de advocacia de Curitiba para o qual o dinheiro era desviado gozava da confiança absoluta de Paulo Bernardo e Gleisi — um de seus sócios, Guilherme Gonçalves, era encarregado de defender a senadora em processos na Justiça.

As investigações mostram que a Consist fazia de conta que pagava pelos serviços de advocacia e os advogados pagavam as despesas do casal sem deixar rastros. Descobertos, todos entoaram o mesmo discurso padronizado: “Paulo Bernardo não sabia de nada. Gleisi não sabia de nada”. Mesma narrativa era emitida pelo advogado Guilherme Gonçalves, que também defendeu a ex-presidente Dilma em processos no Tribunal Superior Eleitoral.

Surgiu aí um problema quando um dos acusados de envolvimento no escândalo, o advogado Sacha Reck – um dos sócios da banca – resolveu agir. Ele requisitou a uma empresa independente que fizesse uma auditoria nas contas e nos arquivos do escritório. Ficou surpreso com o resultado. Ele  descobriu aquilo que a Polícia Federal não demoraria a desbaratar: o contrato de serviços jurídicos com a Consist não passava de fachada. Mensagens e planilhas guardadas em pastas secretas registravam o destino final do dinheiro: “Eleitoral — Gleisi”.

Ao todo, o escritório recebeu 7,2 milhões de reais da Consist. Ainda não se sabe qual foi o percentual desas grana que parou no caixa dois eleitoral de Gleisi. Há fartas evidências de que foi boa parte. Conforme os investigadores, a propina teria sido usada para pagar de tudo: ônibus para transporte de cabos eleitorais, jantares para prefeitos, motorista particular da senadora, aluguel de um flat usado como escritório informal da campanha.

Na próxima terça, o STF decidirá se transforma Gleisi e Bernardo em réus.

 

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