Cassação de Cunha e continuidade da Lava Jato enterram narrativa petista do golpe

A cassação de Eduardo Cunha no plenário complica o discurso político adotado pelo Partido dos Trabalhadores desde o início da crise política que culminou no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Por orientação da cúpula partidária, formadores de opinião ligados ao partido e a militância passaram a adotar a tese de que o impeachment seria um “golpe não só contra a democracia, mas também contra a Operação Lava Jato”. Também foi dito que este processo serviria para salvar membros do PMDB de cassação, em especial o agora ex-deputado Eduardo Cunha.

A expressiva votação também desmoraliza a ideia de que o plenário não teria condições de julgar o mérito do impeachment de Dilma, uma vez que parte considerável dos parlamentares também estão envolvidos com casos de corrupção. Considerando que os mesmos parlamentares não tiveram a moral questionada para abreviar o mandato de Cunha, isso confere ainda mais legitimidade a deposição de Dilma Rousseff.

Outro fato que também complica a narrativa do golpe é a continuidade da Operação Lava Jato. O PT adotou duas linhas de narrativa conflitantes: a de que a Lava Jato era um golpe contra o partido, e a mencionada anteriormente de que Dilma só foi afastada pois não impediu os trabalhos da força tarefa. O Procurador Regional do Ministério Público Carlos Fernando dos Santos Lima já anunciou que as investigações podem ter até dois anos de prorrogação.

O fato das investigações atingirem membros de vários partidos coloca por terra a tese de seletividade política. Segundo Carlos, 54 políticos já foram identificados. O procurador explica que só dois se tornaram réus no Supremo Tribunal Federal (Eduardo Cunha e Nelson Meurer), por conta do foro privilegiado. Já entre os petistas a devassa foi maior, já que muitos dos envolvidos no esquema não ocupam cargos públicos. O que já se comenta é que a operação deve acabar com PT, PP, PR e causar grandes danos do PMDB e PSDB. Isso além da prisão de grandes nomes políticos, como o ex-presidente Lula.

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