Guitarras doadas por Lenny Krativz e Bono Vox foram leiloadas em favor de ONG’s pró-PT

Conforme diz o Estadão, guitarras doadas pelos roqueiros Lenny Kravitz e Bono Vox foram leiloadas e os recursos foram destinados para ONG’s ligadas ao PT.

Em 2005, Lenny Kravitz visitou Lula na Granja do Torto, entregando ao petista uma de suas guitarras, uma cobiçada Epiphone Flyng V preta autografada. Ela seria leiloada no programa Fome Zero.  O instrumento foi leiloado em maio e arrematado, por R$ 322 mil, pelo empresário Pedro Grendene – que recebeu a guitarra em setembro das mãos do ex-presidente, pai do Fome Zero, em 2003.

Em 2006, ano de reeleição, foi o irlandês Bono Vox, o ainda mais pop star vocalista do U2, que doou ao Fome Zero uma guitarra para ser leiloada e gerar – além dos recursos – publicidade ao programa carro-chefe do governo Lula.

Todavia, o segundo leilão aconteceria somente um ano depois, depois de muita cobrança e questionamentos dos fãs – uma das suspeitas levantadas envolvia a guarda do instrumento, ela estaria na casa de um dos filhos do então presidente.

Agora a Lava Jato revela bastidores das negociações pelo leilão das guitarras. Uma análise de e-mails do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, mostra ter havido uma disputa entre a ONG Ação Fome Zero e o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome pelo direito dos recursos levantados com os leilões e a preocupação da coordenadora da entidade, Fátima Menezes, em relação a cobrança da imprensa sobre a guarda da guitarra de Bono Vox.

A ONG Ação Fome Zero foi criada por Bumlai e por outro amigo de Lula, o consultor Toninho Trevisan, para servir como um braço do Programa Fome Zero, fora do Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome.

Em um dos emails trocados, Fátima Menezes, em comunicação com Bumlai e Trevisan, reclama da reversão do dinheiro arrecadado com as guitarras para o fundo de combate à fome, do Ministério de Desenvolvimento Social: “Temos agora uma situação de tensão que é o leilão de duas guitarras. Um trabalho bem feito poderia render a AFZ (Ação Fome Zero) visibilidade, recursos e credibilidade (principalmente depois da experiência anterior)”. Este e-mail foi enviado em 17 de abril de 2007.

“Acontece que no processo de regularização dos bens doados (que é um assunto complicado para o qual os advogados do governo e os nossos parecem não ter uma posição concordante) que venho liderando a cerca de um ano trouxe à tona algumas questões que me permitem reavaliar as vantagens que a Entidade e o projeto possam ter com essa atividade.”

Segundo Fátima, que deixou a coordenação da Ação Fome Zero em 2014, um parecer jurídico do governo informava que a entidade teria que firmar um termo de cooperação com ministério e que o dinheiro “advindo do leilão efetuado deverá ser destinado ao Fundo de Combate à Erradicação da da Pobreza” e que a utilização dele em projetos da ONG teria que ter parecer do conselho consultivo do fundo – conselho que, segundo ela, teria se reunido duas vezes em quatro anos.

“Em resumo: nós não podemos fazer uso do recurso obtido pelo leilão” – reclamava a coordenadora, assim mesmo, em negrito.

Na mensagem, Fátima afirma ter proposto ao Ministério de Desenvolvimento Social que “como havia duas guitarras, uma fosse destinada ao Fundo de Combate à Pobreza”.

“Enquanto o leilão da outra viesse para nossa Entidade que aplicaria em um projeto de cisternas em escolas”, explicou a coordenadora da ONG.

“Não consigo identificar nenhuma vantagem para a AFZ a posição de liderança no processo. Minha sugestão é cooperar como outras entidades (no caso a Fiesp): mas não liderar e não envolver o poder de mobilização de vcs dois (responsáveis sem nenhuma dúvida pelo sucesso enorme do leilão anterior) neste evento.”

No dia 18, Bumlai respondeu que não sabia do ocorrido e iria conversar com Trevisan. Ele também afirmou: “O assunto da guitarra tem de fato sido uma pedra no nosso sapato. Não sei se o Bumlai concorda mas nesse caso me parece melhor entregar o dinheiro a MDS para que ele dê conta da empreitada e aplique o dinheiro dentro de sua visão.”

Trevisan opinou que “firmar acordo de cooperação” parece mais uma etapa “complicada pelas características e pouco producente pelos resultados”.

OS e-mails de Bumlai também exibem a preocupação da coordenadora da ONG com questionamentos feitos pela imprensa sobre quem guardava a guitarra de Lenny Kravitz entre a doação, em 2005, e o leilão, em 2006. Em um e-mail, Fátima relata da suspeita de que o equipamento estaria “na casa do filho”. Para a PF, a menção seria a um dos filhos de Lula.

A guitarra doada pelo vocalista do U2 foi recebida em fevereiro de 2006. Em troca de e-mail de maio daquele ano, Fátima Menezes comunica que jornalistas cobravam a ONG para apresentar o instrumento, que poderia estar guardado com o filho de Lula.

“A jornalista do Estadão continua telefonando diariamente para saber onde a guitarra está. Conversamos e eu disse a ela que a guitarra estava aqui mas pedi para que ela não divulgasse a informação por questão de segurança”, comunica a coordenadora da ONG para Bumlai. “(Eu percebi o que está por detrás deste fato: o jornal recebeu uma denúncia de que o objeto está na casa do filho…).”

A guitarra doada por Bono foi entregue em fevereiro de 2006 durante uma turnê da banda no Brasil. O instrumento foi leiloada em agosto de 2007, em um evento que contou com a cooperação da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e arrematado por R$ 15 mil por Sear Harton, um irlandês radicado no Brasil, via internet.

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