Lava Jato coloca mais um sócio de filho de Lula na mira: pagamento à empresa de fachada

Conforme diz a Jovem Pan, a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, analisa o pagamento de R$ 68 mil efetuado por uma empresa de um sócio do filho mais novo do ex-presidente Lula, Luis Cláudio Lula da Silva. A empresa é a J Nobre Consultoria e Engenharia, usada pela empreiteira Andrade Gutierrez para pagar propina para o ex-presidente da Eletronuclear Othon Pinheiro da Silva, nas obras da Usina Nuclear de Angra 3. O caçula de Lula já é alvo da Operação Zelotes por causa de valores recebidos da empresa Marcondes & Mautoni, acusada de atuar na compra de medidas provisórias.

A empresa responsável pelo pagamento rastreado pelos investigadores rastreiam é a HZ Administração e Participações, cujo sócio é José Antonio Fragoas Zuffo, residente no ABC e um dos parceiros comerciais do filho de Lula na ZLT 500 Sports Gerenciamento e Marketing de Competições Esportivas. A ZLT 500 foi aberta em agosto de 2010 e, atualmente, consta como empresa desativada. A J Nobre declarou à Receita ter recebido, entre outubro de 2011 e junho de 2012, quatro pagamentos da HZ Administração e Participações, que totalizaram R$ 68 mil.

Os valores repassados não são o objetivo da investigação, mas o mapeamento de qualquer transação financeira que possa explicar qual era a relação da família de Lula com empresas de fachada utilizadas pelas empreiteiras. Entre os pontos de atenção está a teia de empresas nas quais o filho de Lula e seus sócios, entre eles Fragoas Zuffo, possuem participação.

Na mesma ZLT, Luis Cláudio e Zuffo são sócios de Fabio Haruo Tsukamoto. Ele é sócio de várias empresas, entre elas a Bilmaker 600 Serviços em Importação e Exportação, atualmente registrada com o nome de Wdealer Serviço de Importação. A Bilmaker já teve como sócio Glaucos Costamarques Bumlai, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula e suspeito de custear as reformas no sítio Santa Bárbara, de Atibaia (SP), que o ex-presidente diz “não ser dele”, mas a Lava Jato pensa o contrário.

Além desta relação de parentesco com Bumlai, Glaucos é o proprietário de um apartamento utilizado pela família Lula, em São Bernardo do Campo (SP). Em março, na deflagração da Operação Aletheia, com busca e apreensão no apartamento do ex-presidente, os policiais descobriram que a família faz uso de outro imóvel, no mesmo prédio. A cobertura de Glaucos, a número 121, no edifício Hill House, fica em frente à que pertence ao petista, a 122. À época, Glaucos garantiu que Lula lhe paga aluguel.

Essa segunda cobertura já vinha sendo usada por Lula desde o primeiro ano na Presidência, em 2003. Até 2007, o PT pagou pelas despesas do imóvel para que ele guardasse o acervo que doou ao partido. No segundo mandato, o governo assumiu os custos sob a justificativa de que era necessário para a segurança de Lula. Suspeita-se de que as movimentações ocultam movimentação de dinheiro de propina, mesmo que o nome de Zuffo não integre os inquéritos que investigam Lula, em fase final na Lava Jato.

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