Renan jogou a favor de Cunha ao ajudar Dilma a dar golpe constitucional

Segue abaixo análise feita pelo jornalista Carlos Newton, da Tribuna da Internet:

“Ao contrário do que inicialmente se pensava, a preservação dos direitos políticos de Dilma Rousseff não se devia a um simples destaque da bancada do PT, mas a uma trama urdida por Renan Calheiros e que acabou tendo apoio do ministro Ricardo Lewandowski e de 36 senadores da República.

Por uma questão de cautela, deve-se ressalvar que muitos desses 36 senadores julgavam estar apenas praticando um ato humanitário em relação à presidente Dilma Rousseff. Não sabiam que estavam servindo como massa de manobra para os objetivos de Renan. Afinal, não havia provas de envolvimento direto de Dilma em atos de corrupção, ela não tem contas no exterior, tríplex nem sítio hollywoodiano.

Além disso, brasileiro é assim mesmo, gosta de bancar o bonzinho, embora no caso de Dilma já existissem abundantes provas de caixa 2 de campanha, de obstrução à Justiça, de crimes de responsabilidade e de maquiagem nas contas públicas, sob codinome de “contabilidade criativa”. Portanto, sabia-se que Dilma não é nenhuma santinha.

Na verdade, o impeachment de Dilma foi mais do que necessário. Em países mais sérios, ela já teria sido algemada. Mas estamos no Brasil, como diria o pensador petista Sérgio Buarque de Hollanda, que genialmente sacou a incomensurável cordialidade do homem sapiens brasileiro (e da mulher sapiens, é claro).

A manobra executada por Renan Calheiros, que conseguiu dar uma volta no PT, no ministro Ricardo Lewandowski, que presidia o julgamento de Dilma, e em 35 senadores, tinha exato objetivo de acalmar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o homem que sabe demais, em termos de suspense à moda de Alfred Hitchcock.

Com a complacência de Lewandowski, para Renan foi fácil aprovar a manobra com o voto de 36 senadores, incluindo ele próprio. Mas o presidente do Senado esqueceu de combinar com os outros dez ministros do Supremo, com a mídia e com a opinião pública em geral. E agora a suposta “bondade” do Senado em relação a Dilma Rousseff se transformou em novo escândalo de corrupção.

É claro que o Supremo, sob o comando da nova presidente Cármen Lúcia, vai demolir essa armação, que jamais teve objetivo de beneficiar Dilma Rousseff, uma figura medíocre e totalmente fora do baralho político. Concretamente, essa jogada visou a favorecer  todos os políticos corruptos deste Brasil varonil.”

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