Campanha de Pimentel foi bancada com propina do BNDES, diz Istoé

Conforme a revista Istoé, a situação do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), define-se em um dito popular: nada está tão ruim que não possa piorar. Desde maio, ele vem correndo o risco de ser afastado, mas as acusações não param de crescer.

Na última sexta-feira (16), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Acrônimo, responsável por investigar recebimento de propina pelo petista. Por condução coercitiva, Eduardo Serrano, teve que depor. Ele é secretário-geral de governo e ex-chefe de gabinete quando ocupava o ministério do Desenvolvimento no primeiro mandato de Dilma. A matéria lembra: “Ocorreram ainda buscas e apreensões na construtora JHSF e na sede do instituto de pesquisa Vox Populi, contratado pela campanha de Pimentel em 2014. Marcos Coimbra, um dos sócios do instituto, foi convocado a depor. Com base em documentos e na delação do operador de Pimentel, Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, as investigações mostram que o petista, então ministro do Desenvolvimento, exigiu propina da JHSF. Em contrapartida, agiu pela liberação de um financiamento do BNDES para a construção de um aeroporto no interior paulista. O suborno engordou a campanha de Pimentel e pagou pesquisas.”

As revelações de Bené tem potencial para implodir o mandato de Pimentel. A atuação de Pimentel e de seu braço direito Eduardo Serrano para que o BNDES concedesse dois empréstimos ao grupo JHSF foi completamente detalhada. O banco autorizou a liberação de R$ 220,7 milhões para financiar a construção de um aeroporto na cidade paulista de São Roque. Em troca, o petista recebeu R$ 5 milhões em propina.

Desse valor, cerca de R$ 700 mil foram usados para pagar pesquisas encomendadas ao Vox Populi pela sua campanha. Bené teria dito que para viabilizar esse pagamento “conversou com Humberto (da JHSF) e com o diretor Comercial do instituto, Marcio Hiran, para que eles ajustassem a emissão da nota fiscal e a efetivação do pagamento. Os serviços declarados na nota fiscal não foram efetivamente prestados ao grupo JHSF, mas sim à campanha eleitoral de 2014 de Fernando Pimentel”.

Bené ainda soltou a língua sobre outras operações ilegais de Pimentel: o governador teria embolsado subornos para atuar na liberação de empréstimos estatais para obras de empresas brasileiras na África e em países vizinhos. O empresário não apenas confirmou que, quando ocupava o ministério, o petista recebeu propina de uma empresa automobilística em troca de benefícios fiscais. Disse que a quantia embolsada pelo governador era dez vezes maior do que desconfiavam os investigadores. Segundo Bené, o petista ganhou R$ 20 milhões com a negociata. Em maio, a Procuradoria-Geral da República denunciou Pimentel ao STJ neste caso. Até agora, a Corte não se manifestou se aceita ou não a denúncia. Pela Constituição mineira, caso se torne réu, ele será automaticamente afastado do cargo.

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