Mega lavanderia: 40 empresas fantasmas “lavaram” dinheiro na campanha de Dilma 

A lista completa de empresas que, segundo a Veja, podem ter sido usadas para lavar dinheiro em benefício do projeto eleitoral de Dilma chega a 40. É o que detectaram técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A lista inclui gráficas fantasmas, edificações simples apenas no reboco, casas comuns em bairros residenciais e até um casebre com um puxadinho de madeira. Já na prestação de contas da campanha de Dilma, essas empresas constam como prestadoras de serviços, sejam de impressão de panfletos eleitorais, de locação de veículos, de aluguel de equipamentos ou ainda um genérico serviço de “apoio administrativo”.

A Pólis Propaganda e Marketing, conhecida empresa dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que deixaram a cadeia no início do mês depois de terem sido presos na Operação Lava Jato, é apenas uma dentre as 40 empresas. As outras 39 receberam 55,26 milhões de reais considerados suspeitos pela Justiça Eleitoral. Somente a Pólis recebeu outros 78 milhões de reais declarados ao tribunal.

O TSE já tinha encontrado indícios de lavagem de dinheiro por meio da empresa VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior Ltda, que recebeu 22,89 milhões de reais da campanha de Dilma para imprimir santinhos, da empresa Rede Seg Gráfica e Editora, que embolsou 6,14 milhões de reais para a impressão de folders, e da DCO Informática, que amealhou 4,8 milhões de reais. O endereço da VTPB, no bairro da Casa Verde, em São Paulo, está desativado. Quanto à Red Seg, o dono é um motorista. Da cidade de Uberlândia (MG), a DCO não tem sequer alvará de funcionamento. Foi contratada para enviar mensagens eletrônicas aos eleitores, mas conta com apenas um notebook.

Com a listagem completa de empresas em mãos, a Justiça coletou evidências de que novas companhias de fachada podem ter sido utilizadas pela campanha de Dilma. Cruzamentos feitos pela Justiça Eleitoral mostram que as fornecedoras da campanha não têm funcionários cadastrados. Ainda assim, aparecem em situação ativa na Receita Federal. Os mais recentes casos com indicativos fortes de fraude foram encontrados, por exemplo, nas cidades de Sorocaba (SP) e Tramandaí (RS).

Oficialmente uma empresa de apoio administrativo em Tramandaí, a Milton Gonçalves Transportes não passa de um casebre de madeira com uma antena parabólica. Ela embolsou cerca de 118.000 reais da campanha de Dilma em 2014. Para o TSE, todos os casos apresentam indícios de falta de capacidade operacional para prestar serviços à campanha ou ausência de estrutura mínima para realizar as atividades declaradas por elas à Receita Federal. Investigações complementares estão por vir. Devem verificar se houve ou não lavagem de dinheiro por meio dessas empresas.

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