Após impeachment, Dilma terá que se ver com Moro

 

Não há muita gente que ainda defenda Dilma Rousseff, e mesmo entre aqueles que defendem já existe a aceitação de que a derrota é inevitável. Assim que o impeachment se tornar oficial, a petista perderá um benefício dado a poucos: o foro privilegiado.

Sem foro privilegiado, as investigações contra Dilma Rousseff cairão nas mãos da “justiça comum”, e aí quem irá tratar de seu processo é ninguém menos do que o juiz federal Sérgio Moro. A presidente afastada, quando não for mais presidente, será alvo direto da Operação Lava-Jato, e os processos que hoje estão nas mãos do STF passarão para Sérgio Moro, em Curitiba.

Coincidentemente, enquanto o Senado aprovava o relatório final de Antonio Anastasia, no prédio ao lado estava Sérgio Moro, discutindo as medidas anticorrupção em uma sessão na Câmara dos Deputados. Ele disse aos deputados presentes que a Lava-Jato não tem prazo para acabar, e que o trabalho vai prosseguir enquanto houver material para ser analisado.

Em depoimentos prestados a Moro, Santana e Mônica admitiram que os US$ 4,5 milhões depositados por um intermediário de negócios escusos na Petrobras, Zwi Skornicki, em uma conta secreta na Suíça referem-se a serviços prestados à campanha de Dilma em 2010. Dinheiro de caixa dois, disseram ambos, antes de reconhecer que mentiram ao afirmar, em interrogatórios realizados em fevereiro, que a verba foi amealhada numa campanha feita em Angola. Falsearam a verdade para não incriminar Dilma e admitiram isso em depoimento.

“Eu achava que isso poderia prejudicar profundamente a presidenta Dilma. Eu raciocinava comigo: eu, que ajudei de certa maneira a eleição dela não serei a pessoa que vai destruir a Presidência. Nessa época, já iniciava um processo de impeachment. Mas ainda não havia nada aberto. Eu sabia que isso poderia gerar um grave problema, sinceramente, até para o próprio Brasil”, disse o marqueteiro João Santana.

“O país estava vivendo um momento muito grave institucionalmente, político… As coisas que estavam acontecendo em torno da presidente Dilma. […] Para ser muito sincera, eu não quis atrapalhar esse processo, não quis incriminá-la, […] eu achava que ia contribuir para piorar a situação do país falando o que realmente aconteceu. E eu acabei falando que foi o recebimento de uma campanha no exterior”, falou Mônica Moura, a esposa de João.

 

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