Defesa do PT é “o samba do partido doido”, diz editorial do Estadão

Enquanto o parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) foi tão consistente a ponto de apontar 40 fatos que recomendam o impeachment, a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff tem se limitado a discursos obscuros e propagandas de baixo nível. Um editorial do Estadão, intitulado “O samba do partido doido”, expõe várias dessas bizarrices.

O texto comenta: “Em poucas oportunidades, os borra-papéis do partido conseguiram juntar num mesmo texto tão estapafúrdias referências – que vão de Dante Alighieri a Hitler – para reafirmar a tese de que Dilma é vítima de golpe. Enquanto Anastasia procurou embasar seu parecer em fatos, dizendo que a gestão de Dilma instaurou ‘um vale-tudo orçamentário e fiscal que trouxe sérias consequências negativas para o País’, os petistas denunciaram que a presidente é vítima de uma conspiração das forças do mal. Para isso, apelaram à mais medíocre literatice, a começar pelo título: Crônica de um golpe anunciado.”

O Estadão comenta:

Logo nos primeiros parágrafos, denuncia-se que, “na calada da noite, em meio aos odores desagradáveis emanados do fisiologismo político e da hipocrisia moral”, se urdiu, em seguida à reeleição de Dilma, “o golpe que ameaça submergir o Brasil numa longa noite de autoritarismo, conservadorismo, retrocesso social e desconstrução de direitos”.

O texto segue nessa toada embaraçosa, dizendo que, “enquanto os justos dormiam o sono do dever cívico cumprido, os derrotados, com ânimo inconformado e insone, iniciavam sua trama cínica e antidemocrática, apoiados em mentiras, distorções e, sobretudo, num secular desprezo pelo voto popular”. Os “justos”, claro, são Dilma e os petistas – aqueles cuja campanha eleitoral foi irrigada com dinheiro de origem mais do que duvidosa e que mentiram descaradamente nos palanques.

A trama, diz o texto, foi “de tal forma sinistra que poderia ter sido contada por Virgílio a Dante Alighieri e ter como introito a lúgubre frase Deixai toda esperança, vós que entrais! Com efeito, começava ali a nova descida da democracia brasileira aos históricos infernos do golpismo”. Era o caso de mencionar que o oitavo círculo do inferno de Dante é aquele onde os corruptos, hipócritas e falsários são punidos com banho em piche fervente, mas o texto omite essa passagem.

O festival de asneiras prossegue no trecho em que os petistas acusam a oposição de disseminar o ódio contra o partido. Eles não se limitam a citar Mandela: “O ódio é algo que se ensina”. Para a tigrada, a estratégia para incitar a violência contra o PT se assemelha à dos nazistas contra os judeus, “como ensinava Goebbels”. E a luta contra a corrupção é vista como “forma de legitimação de forças ou regimes autoritários”: “Hitler, por exemplo, legitimou em grande parte a sua ascensão no cenário político alemão com o recurso demagogo da ‘limpeza das ruas’ alemãs de judeus, ciganos, comunistas e corruptos”.

Na ladainha, assinada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Kátia Abreu (PMDB-TO), não faltaram nem mesmo acusações de que Dilma sofreu o tal “golpe” por ser mulher – e essa alegada misoginia desrespeitou até “o corpo da presidenta do Brasil”. Homessa!

Para coroar, esse verdadeiro samba do partido doido, que faz referências também a Hannah Arendt, Sófocles, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, termina com uma manjada citação de Marx, evocado para dizer que “é a história que se repete, desta vez como farsa”. A turma aposta que “o julgamento definitivo desse hediondo crime de irresponsabilidade caberá, em instância irrecorrível, à História”. Os “historiadores do futuro”, conclui o voto, vão se debruçar sobre esses episódios e concluir que o impeachment, se ocorrer, terá sido um golpe.

A conclusão do editorial é a seguinte: “Quando se depararem com esse texto exótico, no entanto, os historiadores do futuro só poderão concluir que jamais um grupo político tão medíocre, arrogante e pretensioso esteve no poder no Brasil.”

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7 comentários sobre “Defesa do PT é “o samba do partido doido”, diz editorial do Estadão

  1. Um partido, um dirigente supremo e seu séquito, chegaram ao poder; com muito dinheiro, passaram treze anos se chafurdando na lama da corrupção dividindo o bolo com empreiteiras e cargos públicos e, após a Republica de Curitiba e a Operação Lava Jato, viram ruir o seu projeto de impunidade e poder. Toda quadrilha, seja de tal ou qual partido, ter que se extirpar da política e os políticos bandidos que tinham o poder de mando, devem curtir a sua ressaca de riqueza e poder na CADEIA. Isso é que conforta o povo. A cadeia para os corruptos e a devolução dos recursos ao país, esteja onde estiver aplicado esses valores, quer esteja em nome de parentes, aderentes, funcionários e “laranjas” ou em contas no Panamá, Suíça, Bahamas. O importante é que isso aconteça até a prisão de Dilma e Lula.

    1. Que venha logo a justiça,que volte nosso dinheiro aos cofres brasileiros,temos muita gente precisando,nos hospitais e nas escolas,devemos levantar a cabeça,estamos muito humilhados e fomos muito subjugados,que sejam presos todos os bandidos,e que trabalhem na cadeia para seu sustento.Nós precisamos dos DIREITOS HUMANOS,eles não,são desumanos .

  2. Estamos atravessando uma fase ao mesmo tempo negra e iluminada de nossa história política. Negra porque estamos nos deparando com tantas iniquidades que temos até dificuldade em absorvê-las. E iluminada porque com a Justiça nos apoiando (exceção a parte do STF), começamos a ver luz no fim do túnel. Antes assim!!!!

  3. Dilma, Lindbergh, Humberto Costa, Telmário, Gleisi, Katia Abreu, Mazziotin e Requião, não se elegem nunca mais, mesmo para o cargo de vereador da sua cidade. São muito ruins em politica e conhecimentos gerais. Prestam um desesserviço para o nosso País. Culpados pela crise e pelos 12 milhões de desempregados.

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