Relato de condução de Lula emitido pela PF pode humilhá-lo perante a ONU

Em 6 de março, dois dias após o ex-presidente Lula ter sido levado a depor à Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, um documento emitido pela própria PF sobre o caso deixa claro que o recurso de Lula a ONU é uma afronta não só às instituições, mas também ao bom senso e aos fatos.

Segundo o delegado Luciano Flores de Lima, a equipe da PF bateu à porta de Lula às 6h da manhã. O próprio ex-presidente recebeu os policiais, e estes anunciaram o mandado de busca e apreensão. O delegado não chamou a imprensa e se preocupou em preservar a imagem do petista. Só havia Lula e os agentes da PF no local.

Conforme o delegado Lima, ele informou ao petista que deveriam sair dali o mais rápido possível para evitar que repórteres chegassem antes ao local, ao que Lula respondeu, de maneira ríspida, dizendo que “não sairia dali a menos que fosse algemado.” A PF insistiu para convencer Lula a ir até o local do depoimento de forma voluntária, mas ele se recusou e ligou para o advogado Roberto Teixeira. Após a conversa com o advogado, Lula disse que iria trocar de roupa e acompanharia a PF voluntariamente.

Agora, leia o relato do delegado Lima na íntegra e perceba que ele desmonta a versão trágica narrada por Lula à imprensa. Os trechos em itálico referem-se ao que foi descrito no documento.

Brasil, 6 de março, 22:37

“Às 6h e 30min saímos da garagem subterrânea do prédio em uma viatura discreta, com películas escuras nos vidros laterais, pedindo a ele que se mantivesse em posição atrás do motorista e sem aparecer entre os bancos, pois assim impediria que qualquer pessoa que estivesse na rua conseguisse captar sua imagem.

Por volta das 7h e 20min chegamos ao Salão Presidencial do Aeroporto de Congonhas e aguardamos a chegada dos advogados do ex-Presidente, o que ocorreu por volta das 7h e 45min, momento em que mostramos os mandados e permitimos que eles conversassem em local próximo, sem nossa presença.

Em torno das 8h o ex-presidente e os advogados retornaram à mesa onde ocorreria a oitiva e disseram que estavam prontos para o ato, sendo dito pelo ex-presidente que iria prestar as declarações necessárias. No início do ato, foi dada ciência de que ele não estava obrigado a responder às perguntas que faríamos e que poderia ficar em silêncio sempre que quisesse. Também foi dada ciência a todos de que as perguntas e respostas seriam gravadas em áudio e vídeo para posterior transcrição. Foi autorizada a gravação também pelo telefone celular de um dos advogados do ex-presidente Lula, atendendo-se, assim, o pedido que a defesa fez naquele momento.

Por volta das 11h a audiência se encerrou, sendo lavrado um termo de audiência dando ciência a todos de que as perguntas e respostas foram gravadas e seriam posteriormente transcritas, sendo assinado, por todos os presentes, o referido termo, conforme será juntado neste e-proc assim que digitalizado.

Após a assinatura do termo, foi permitida a entrada no local de diversos parlamentares federais que batiam na porta e chegaram a forçar para entrar naquele recinto, durante a audiência. Na sequência, ofereci, de maneira insistente, a segurança da Polícia Federal ao ex-presidente Lula para levá-lo ao local onde ele quisesse ir, a partir dali, sendo dispensada tal segurança e sendo dito que ele preferiria sair dali com seus companheiros de partido e seus advogados, em veículo próprio, sem o acompanhamento da Polícia Federal. Em razão disso, foi autorizada a entrada até a porta daquele salão de automóvel indicado por ele para o deslocamento e aguardada sua saída.”

Como fica claro, no documento emitido pela PF, Lula saiu algemado porque quis, e ele mesmo avisou a imprensa para que pudesse ser filmado algemado e tentar capitalizar em cima do fato. Também não houve nenhum tipo de violação dos direitos humanos. Pelo contrário. Lula foi levado de forma respeitosa, sem nenhum tipo de violência contra sua integridade ou seus direitos fundamentais como cidadão.

 

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4 comentários sobre “Relato de condução de Lula emitido pela PF pode humilhá-lo perante a ONU

  1. A PF incistiu para que Lula fosse dar depoimento de forma voluntária às 6 h. Se deslocando em uma viatura até um local determinado. Ao meu ver a forma voluntária se dá quando o cidadão é intimado por escrito em local e hora pré estipulado, aí sim ele poderá ir de forma voluntária, caso contrário poderá ser encaminhado de forma coercitiva.

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