Delações de João Santana e esposa assustam governos bolivarianos

A futura delação do publicitário João Santana e de sua esposa Mônica Moura foi um acontecimento que gerou grande repercussão não só entre os brasileiros, como também entre os vizinhos latino americanos. Marqueteiros do Partido dos Trabalhadores na última campanha de Lula e nas duas de Dilma Rousseff, João Santana e Mônica Moura confessaram o caixa dois abastecido com dinheiro desviado da Petrobras, e afirmaram ao Juiz Sérgio Moro que pretendem fazer acordo de delação na última quinta-feira.

Ocorre que durante os anos de governos petistas, João Santana também prestou serviço para outros partidos da extrema-esquerda aliados do Partido dos Trabalhadores. Normalmente, os partidos que contratavam o trabalho de João Santana são os mesmos que contratavam empreiteiras como OAS e Odebrecht. Via de regra, essas grandes obras eram financiadas com fundos bilionários do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Na República Dominicana, os dirigentes da oposição Milagros Ortiz Bosch y Eddy Alcántara declararam ao jornal local CDN que não descartam que João Santana vá envolver o presidente socialista Danilo Medina em seus depoimentos. O país recebeu bilhões em investimentos da Odebrecht financiados pelo BNDES, e João Santana e Mônica Moura estavam em Santo Domingo quando sua prisão foi decretada pela Polícia Federal na Operação Acarajé.

Já na Argentina, as declarações dos marqueteiros ao juiz Moro lançam suspeitas sobre o candidato derrotado à presidência Daniel Scioli e ao governador de Córdoba José Manuel de la Sota. De la Sota é do Partido Justicialista, de Cristina Kirchner, enquanto Scioli era candidato do peronismo kirchnerista. Durante a campanha, o presidente eleito vitorioso Maurício Macri acusou seu adversário de fazer uma guerra suja ao contratar um marqueteiro envolvido com tantos escândalos.

Jornais do Panamá, Equador e Nicarágua também comentaram as relações perigosas entre o marqueteiro, as empreiteiras e a extrema-esquerda. A impressão unanime é que o conteúdo das revelações do casal pode não causar tantos efeitos no impeachment porque o mandato de Dilma já é fato irreversível, mas que pode causar um dano irreparável na esquerda latino-americana.

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