Globo defende desestatização de todas as universidades bancadas por dinheiro público

Um editorial corajoso publicado na edição de domingo (24), o jornal “O Globo” defendeu o fim do ensino superior “gratuito”. O texto lembra que para combater uma crise nunca vista, é preciso de ideias que ainda não foram aplicadas. Nesse sentido, acabar com o ensino superior gratuito seria acabar com um mecanismo de injustiça social.

O editorial dá sua proposta: “Pagará quem puder, receberá bolsa quem não tiver condições para tal. Funciona assim, e bem, no ensino privado. E em países avançados, com muito mais centros de excelência universitária que o Brasil.Tome-se a maior universidade nacional e mais bem colocada em rankings internacionais, a de São Paulo, a USP — também um monumento à incúria administrativa, nos últimos anos às voltas com crônica falta de dinheiro, mesmo recebendo cerca de 5% do ICMS paulista, a maior arrecadação estadual do país.Ao conjunto dos estabelecimentos de ensino superior público do estado de São Paulo — além da USP, a Unicamp e a Unifesp — são destinados 9,5% do ICMS paulista. Se antes da crise econômica, a USP, por exemplo, já tinha dificuldades para pagar as contas, com a retração das receitas tributárias o quadro se degradou. A mesma dificuldade se abate sobre a Uerj, no Rio de Janeiro, com o aperto no caixa fluminense.”

O setor manipula muito dinheiro, como lembra o texto do jornal: “Circula muito dinheiro no setor. Na USP, em que a folha de salários ultrapassa todo o orçamento da universidade, há uma reserva, calculada no final do ano passado em R$ 1, 3 bilhão. Mas já foi de R$ 3,61 bilhões. Está em queda, para tapar rombos na instituição. Tende a zero.O momento é oportuno para se debater a sério o ensino superior público pago. Até porque é entre os mecanismos do Estado concentradores de renda que está a universidade pública gratuita. Pois ela favorece apenas os ricos, de melhor formação educacional, donos das primeiras colocações nos vestibulares.”

As injustiças praticadas pelo sistema contra o pobre também foram mencionadas: “Já o pobre, com formação educacional mais frágil, precisa pagar a faculdade privada, onde o ensino, salvo exceções, é de mais baixa qualidade. Assim, completa-se uma gritante injustiça social, nunca denunciada por sindicatos de servidores e centros acadêmicos.”

O editorial conclui-se lembrando que em um levantamento feito pela Folha de São Paulo, há dois anos, se constatou que 60% dos alunos da USP poderiam pagar mensalidades na faixa das cobradas por estabelecimentos privados. Os estudantes de famílias de renda baixa poderiam receber bolsas. Isso corrigiria uma distorção social, além de a medida ajudar a equilibrar os sempre deficitários orçamentos das universidades, contribuindo para o reequilíbrio das contas públicas.

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Um comentário sobre “Globo defende desestatização de todas as universidades bancadas por dinheiro público

  1. É um fato e uma ideia inteligente, afinal, os academicos de familias mais bem posicionadas economicamente, poderiam sim pagar os estudos. Então, o vestibular não seria mais avaliado pela colocação em pontuação, mas pela pontuação e situação economica do academico. Os alunos mais ricos podem obter uma educação melhor, já os menos afortunados podem nem sempre ter a mesma sorte. É por esta razão que eu concordo com a medida. A Universidade passa a ser gratuita para quem provar realmente necessitar de financiamento do governo. Em outros países, TODOS pagam a sua formação, não sendo levado em consideração o poder aquisitivo de cada um. Em contrapartida, os governos oferecem programas onde os acadêmicos recebem o curso e pagam posteriormente a sua formação, com um prazo de carência para começar a pagar e sem cobrança da juros, pagam exatamente o montante devido.

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