Sem alternativas, PT fala em “luta nos bastidores” para manter militância unida

Diante da falta de alternativas para barrar o impeachment, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), afirmou nessa segunda-feira, 18, em Fortaleza, que o PT está “trabalhando silenciosamente” para a volta de Dilma à presidência da República. A intenção do deputado é evitar a dispersão da militância em tempos de desintegração da base.

O partido esperava contar com o laudo do Ministério Público Federal afirmando que não houve operações de créditos ou pedaladas, no entanto o órgão concluiu que as manobras visaram maquiar as contas públicas, principalmente no ano eleitoral de 2014, havendo improbidade administrativa – um delito civil. Além disso, a leve melhora nas perspectivas econômicas combinadas com a delação de Marcelo Odebrecht inviabilizam as chances de retorno de Dilma.

Ciente da dificuldades, o petista resolveu sinalizar para sua militância que é possível reverter o processo em andamento no Senado. “Nós estamos trabalhando silenciosamente, que é a melhor estratégia. Dialogando, conversando. Todas as indicações que temos é que tem grandes possibilidades de reversão. Aliado a isso, há fatos relevantes, como o parecer do Ministério Público, recente, que é uma água nos golpistas”, afirmou Guimarães em lançamento do Anuário do Ceará, publicação do Grupo de Comunicação “O Povo”.

Ainda segundo o deputado, o momento é de vencer a “batalha política”. Para isso o PT tem apostado tanto na tese das novas eleições quanto no possível retorno de Dilma por meio de um novo “Pacto nacional”. A falta de perspectivas para as eleições e o desanimo entre a cúpula não permitem que o partido adote um discurso único, fragilizando ainda mais o partido para as eleições deste ano.

O próprio José Guimarães enfrenta uma situação delicada. Assim como outros nomes de peso do antigo governo, o ex-líder enfrenta a acusação de ter se beneficiado do esquema de corrupção na Consist, desmantelado por meio da Operação Custo Brasil, que prendeu o ex-ministro petista Paulo Bernardo. A opção por sinalizar a possibilidade do retorno de Dilma é um meio de salvar o partido em meio as investidas da Justiça, que envolvem ainda Jandira Feghali, Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziotin, Moema Gramacho e Lindbergh Farias.

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