Bancos privados tiveram mais de 80% do lucro no “bolsa banqueiro” dos tempos do PT

Conforme matéria do Estadão, os bancos comerciais concentraram os lucros do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), maior programa de crédito subsidiado já feito no país. O BNDES era a instituição que liderava o programa e teve papel marginal na concessão do crédito.

Como mostra a matéria, os bancos comerciais repassaram R$ 327 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e ficaram com mais de R$ 8 bilhões do total de R$ 10 bilhões em spreads que foram gerados pelas operações. Enquanto isso, o BNDES  ficou com menos de R$ 2 bilhões.

Sob a alegação de tentar reduzir o impacto da crise de 2008, o programa financiava máquinas e equipamentos, vigorando de 2009 a 2015. Como o programa foi utilizado principalmente por grandes empresas, economistas o apelidaram de “bolsa empresário”.

Levantamento recente mostra que o PSI financiou fortemente o setor financeiro. Do total de R$ 359 bilhões desembolsados no PSI, apenas 9% ocorreram em operações diretas, feitas pelo próprio BNDES. Os demais 91% dos desembolsos foram por meio das chamadas operações indiretas, feitas pela rede de bancos credenciados ao BNDES.Em nota, a assessoria de imprensa do BNDES confirmou o resultado do levantamento. Eles lembraram até que os dados são públicos.

Da rede credenciada fazem parte de 70 bancos de médio e grande portes, instituições como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Banco Pine, Banco ABC, BTG Pactual, Banco Volkswagen e Mercedes Benz, dentre outros. José Roberto Afonso, economia pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas FGV/IBRE, além de responsável pelo levantamento, disse: “De certa forma, o PSI também foi um bolsa banqueiro”.

Quanto aos desembolsos, o PSI teria causado triplo prejuízo ao BNDES, segundo afonso. A instituição perdeu não apenas por ter intermediado um volume menor de recursos. Individualmente, também ganhou menos. A taxa de juro definida para o BNDES era de 1% (na linha voltada à inovação chegou a ser zero), enquanto a taxa dos bancos credenciados oscilou entre 1,5% e 3%.

Desta forma, estima-se que dos mais de R$ 10 bilhões gerados pela intermediação dos financiamentos, a rede credenciada ficou com mais de R$ 8 bilhões. Uma vez que a taxa do PSI era extremamente atraente, o programa ainda “roubou” clientes de linhas tradicionais do BNDES.

Se o programa já era criticado por não ter gerado o crescimento prometido e privilegiado grandes empresas. “agora, fica claro que as distorções foram além do que se havia imaginado”, diz o economista e assessor parlamentar Felipe Salto.

A economista Mônica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirmou que o peso dos bancos comerciais foi tão alto que já não é possível chamar o PSI de programa público. Em vez disso, teria ocorrido mero repasse de dinheiro: “Não foi programa de investimento: foi banco privado negociando empréstimo com seu cliente privado”.

Os principais banqueiros do país deram forte apoio aos governos do PT. Somente na reta final do governo Dilma, eles abandonaram os petistas.

Durante campanha eleitoral de 2014, os marqueteiros de Dilma Rousseff afirmaram que sua adversária Marina Silva iria se aliar a banqueiros para tirar a comida do prato do povo. A campanha é até hoje considerada um dos maiores casos de estelionato eleitoral da história política brasileira.

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