Renan insinua que Cristovam Buarque recebeu valores ilegais em campanha de 2006

Ontem o uma discussão entre os senadores Cristovam Buarque e Renan Calheiros causou mal-estar no Senado.  Tudo começou quando o presidente do Senado dava sua posição sobre o adiamento da análise do projeto estabelecendo punição para autoridades que cometerem algum tipo de abuso. A confusão se deu quando o presidente mencionou Cristovam, se defendendo de uma declaração feita pelo senador do DF na semana passada.

“Outro dia, vi uma declaração do senador Cristovam dizendo que, talvez, o presidente do Senado, por atender ao pedido do STF, o faça por motivações pessoais. Isso me chocou e embaça a presidência do Senado Federal, porque se há uma coisa que eu procurei demonstrar aqui, senador Cristovam, e não é de hoje, mas desde a época em que o senhor saiu candidato a presidente da República, foi não deixar nenhuma dúvida de que aqui como presidente do Senado, eu me coloco sempre em função da posição majoritária dos senadores.” Ainda enfurecido com a declaração de Cristovan, Renan insinuou irregularidades na campanha de Cristovam à presidência pelo PDT em 2006. “Qualquer investigação tem que ser levada em consideração, e o homem público tem que estar exposto. Eu me recordo, quando o senhor disputou as eleições, que nós fomos procurados pelo então tesoureiro do PDT. Ele trazia denúncias de doação ilegal e de receptação não contabilizada”.

Cristovam ficou indignado com a declaração, e reagiu perguntando porque o senador não apurou o caso. “Se o senhor não fez nada, o senhor prevaricou. Foi isso o que o senhor fez, prevaricação”. Renan respondeu que o caso ainda não prescreveu, de que o episódio com o tesoureiro do PDT era “o primeiro de delação do país”. Ao final Cristovam afirmou que o presidente poderia levar o caso ao Conselho de Ética.

Não é a primeira vez que Renan Calheiros faz esse tipo de insinuação sobre pares no Senado.  Em 2007 Calheiros enfrentou um processo por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado, no episódio conhecido como Renangate. Para não ser cassado, Calheiros renunciou ao cargo de presidente concentrando os esforços em manter o mandato. No dia da votação no plenário do Senado, o presidente teria assediado senadores que se posicionavam favoráveis à sua condenação. O jornalista Ricardo Noblat relata em seu blog que Renan se aproximou da senadora Heloisa Helena (atual Rede, na época líder do PSOL), e sentenciou: “Senadora Heloísa Helena, a senhora sonegou o pagamento de impostos em Alagoas. Deve mais de um milhão de reais. Tenho um documento aqui que prova isso. E nem por isso eu o usei contra a senhora.” Segundo Noblat, Heloisa afirmou que era mentira. Da mesma forma, Renan se aproximou do falecido Jefferson Peres (PDT-AM) e do ex-senador Pedro Simon (PMDB-RS). Para o amazonense, ele teria dito: Veja bem, Senador Jefferson Peres. Eu poderia ter contratado a Mônica [Veloso, ex-amante de Calheiros] como funcionária do meu gabinete, mas não o fiz, dando a entender que Peres contratara parentes para seu gabinete. Para Pedro Simon ele afirmou:  A Mônica Veloso tem uma produtora. Eu poderia ter contratado a produtora dela para fazer um filmete e pendurar a conta na Secretaria de Comunicação do Senado. Eu não fiz isso. Ambos os senadores teriam ouvido tudo em silencio. A jornalista Mônica Matos foi justamente o pivô do Renangate, após a descoberta de que a propina cobrada de lobistas ligados à empreiteiras era paga diretamente à jornalista Mônica Veloso, com a qual Renan teve um caso extraconjugal. O valor era depositado na conta da jornalista como forma de pagamento do aluguel de um apartamento e pensão da filha que o senador teve com sua amante.

Ao final daquele processo, Renan foi absolvido pelo plenário com um placar de 40 a 35. A absolvição causou indignação nacional, sobretudo pelo fato de que os principais jornais do país davam um placar de 41 senadores votando pela absolvição. A Folha chegou a divulgar uma lista com os 41 que declararam votar pela cassação frustrada. Como o voto foi secreto, ficou evidente que alguns dos que declararam votar contra o senador mudaram de lado secretamente. O fato de Renan ter ameaçado alguns senadores e ter afirmado que “sua mãe era grande” gerou intenso debate sobre a necessidade do voto aberto em votações parlamentares.

Veja um trecho da discussão aqui:

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2 comentários sobre “Renan insinua que Cristovam Buarque recebeu valores ilegais em campanha de 2006

  1. Esse Renan é um cara de pau muito safado. Com os processos que pesam contra ele, ainda tem a coragem de tocar no assunto. Ele já deveria estar em prisão perpétua a muito tempo. Quanto so Cristóvão penso que é um cara sério, mas se agiu mal cadeia para ele também.

  2. Renan Calheiros e a vergonha atual do congresso Nacional e não tem nenhuma condição moral de questionar a ninguem e Cristovam Buarque e um senador que merece credito.

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