Marcelo Odebrecht desiste de Dilma como testemunha de defesa

A defesa do empreiteiro Marcelo Odebrecht desistiu de ter Dilma entre suas testemunhas de defesa. Segundo o advogado de Odebrecht, Nabor Bulhões, a iniciativa “se relaciona à desnecessidade desse depoimento, a esta altura, considerando o quanto já apurado na instrução processual consubstanciada na prova produzida pelo Ministério Público Federal”.

Um dos motivos que influenciaram na decisão foi justamente a delação premiada negociada por Marcelo Odebrecht com a força tarefa da Operação Lava Jato e o Ministério Público. Segundo informou a Istoé, o empresário menciona os pagamentos de propina ao coordenador da campanha de Dilma Rousseff, o ex-ministro da Comunicação Social Edinho Silva. Além de Edinho, Marcelo menciona ainda um encontro com a presidente da República que teria acontecido no Palácio do Planalto onde ela confirmou um dos pedidos de propina feito por seu ministro. Edinho havia pedido uma quantia de R$ 12 milhões ao empreiteiro. Marcelo se recusou a fazer mais aquele pagamento, e preferiu conversar pessoalmente com a presidente. Chegando no Palácio, Dilma confirmou o pedido. Para não gerar constrangimentos para a defesa e não comprometer a cooperação com a justiça, ficou claro que era necessário desistir de Dilma como testemunha de defesa. Apesar de ter se encontrado com o empreiteiro em diversas ocasiões e viagens internacionais, a presidente afastada negou conhecer o empresário e disse que nunca o recebeu no Planalto.

Marcelo Odebrecht é acusado de vários crimes, como formação de cartel, lavagem de dinheiro, caixa dois, corrupção passiva e ativa e formação de quadrilha. Marcelo já recebeu do juiz Sérgio Moro a sentença de 19 anos de prisão. Inicialmente Marcelo desconsiderou a colaboração com a justiça, talvez confiante de que as manobras da presidente Dilma com apoio do ministro Marcelo Navarro e senador Delcidio Amaral pudessem livra-lo da prisão. Com a descoberta do plano e mais recentemente da célula de propinas que operava na empreiteira, o presidente da Odebrecht aceitou a delação para diminuir a pena.

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