ESCÂNDALO: Gravações mostram possível destruição de provas da Lava-Jato

Na investigação que envolve a Eletronuclear, a Operação Pripyat, desdobramento da Operação Lava-Jato, foram descobertas evidências de que uma sócia ligada a empresa queimava documentos para destruir provas.

A operação investiga propina na construção da Usina Angra 3, e a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás, é o alvo central. Em gravações tiradas de escutas telefônicas legalmente autorizadas, Ludmila Pereira e outras figuras ainda não identificadas aparecem em aparente conspiração contra a Lava-Jato.

Em abril, uma das ligações mostra Ludmila dizendo que iria queimar papéis. Para o MPF, os documentos deviam ser importantes para a investigação. Veja a transcrição:

– Eu vou aí, deixa só eu terminar de fazer uma fogueira aqui que eu tô fazendo, que eu acho que eu…
– Fogueira?
– Ah, eu tava rasgando papel, sabe?
– Eu só tô aqui numa leva aqui agora, a fogueira tá alta já.

Em seguida:

– Tá na churrasqueira. E botar plástico dentro dela, esse papel de acetato de transparência, sabe o quê que é?
– Botar o quê?
– Plástico.
– Ah, só vai sair o cheiro, vai derreter e vai ficar o cheiro.
– Vai ficar cheiro ruim, né?
– É, não bota agora, não.

Já em uma gravação do mês de maio, Ludmila diz que está queimando documentos de novo, mas tem dificuldades.

– Eu tô, tô tentando botar fogo aqui e não tô conseguindo botar fogo aqui nos papéis ainda, que não terminei de queimar ainda não, cara.
– Pô, que álcool é esse, não é água, não?

Alguns dias após esta ligação, ela avisa que tinha conseguido.

– Tô em casa, cortando papel
– Ainda?
– Agora eu queimei a parte principal também, acho que já foi, já foi tudo, graças a Deus. Agora, agora a gente fica mais sossegada também, cara.

A justiça não tardou desta vez, já que Ludmila foi presa na última quarta-feira junto com outras dez pessoas. O Procurador da República Lauro Coelho explica:

“Foram captadas conversas que verificaram movimentação de patrimônio dos envolvidos, conversas que identificaram destruição de documentos. Um dos motivos que fundamentaram a prisão preventiva também é impedir que essas pessoas ocultem, continuem a praticar condutas de ocultação para esse dinheiro

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